Questão nº 34

Questão de Direito da Criança e do Adolescente · FGV TJ-SC 2023 (nº 34)

FGV2023Juiz SubstitutoDireito da Criança e do Adolescente
Gabarito: Dver comentário ↓

Laura, criança de 10 anos, é vítima de crime de estupro de vulnerável praticado pelo companheiro de sua avó, Jeremias. Durante audiência criminal para a coleta de seu depoimento especial, em rito cautelar de antecipação de prova, Laura demonstra grande temor ao ter ciência de que Jeremias encontra-se na sala de audiências, assistindo ao seu depoimento em tempo real, por transmissão de áudio e vídeo. Margareth, psicóloga do Tribunal de Justiça que se encontra na sala de depoimento especial com a criança, comunica ao juiz que se faz necessário o afastamento do imputado da sala de audiências, diante da reação da criança, contando tal manifestação da profissional especializada com a anuência do membro do Ministério Público. O advogado constituído por Jeremias se opõe ao pedido, invocando violação ao princípio do contraditório e da ampla defesa, caso seja autorizado o afastamento de seu cliente da sala de audiências.
Considerando o disposto na Lei nº 13.431/2017, é correto afirmar que:

Resposta comentada

Gabarito Alternativa D

O Depoimento Especial é um procedimento judicial criado pela Lei nº 13.431/2017 para ouvir crianças e adolescentes vítimas ou testemunhas de violência de forma protegida. Ele é conduzido por um profissional especializado (como psicólogo ou assistente social) em um ambiente acolhedor, com o objetivo de evitar a revitimização e garantir a validade da prova.

  • (A) Incorreta: A Lei nº 13.431/2017, em seu Art. 10, § 2º, permite expressamente que o profissional especializado (Margareth, a psicóloga) sugira o afastamento do agressor se sua presença causar constrangimento à criança. Portanto, sua manifestação é cabível e prevista em lei.
  • (B) Incorreta: A Lei nº 13.431/2017, Art. 10, § 2º, prevê o afastamento do agressor "em qualquer ambiente" se sua presença causar constrangimento à criança, mesmo que ele esteja assistindo por áudio e vídeo em outra sala. O fato de não estarem no mesmo ambiente físico não impede o impacto psicológico. Armadilha da banca: A pegadinha aqui é pensar que a distância física já seria suficiente para proteger a criança, mas a lei reconhece que a percepção da presença do agressor, mesmo remota, pode ser traumatizante.
  • (C) Incorreta: O depoimento especial se aplica a crianças e adolescentes (até 18 anos incompletos) vítimas ou testemunhas de violência. A idade de 7 anos não torna o procedimento incabível; ao contrário, a lei visa proteger todas as crianças, independentemente da idade, que se enquadrem nas condições de vítima ou testemunha.
  • (D) Correta: Conforme o Art. 10, § 2º, da Lei nº 13.431/2017, se a presença do agressor, mesmo por transmissão de áudio e vídeo, causar constrangimento ou prejuízo ao depoimento da criança, o juiz poderá determinar o seu afastamento. A reação de temor de Laura e a manifestação da psicóloga justificam essa medida, priorizando a proteção da criança.
  • (E) Incorreta: O procedimento narrado é o depoimento especial, que tem como principal finalidade a produção de prova judicial. A escuta especializada é um procedimento mais amplo, de caráter protetivo e informativo, que pode ser feito por diversos órgãos da rede de proteção, mas não tem o objetivo direto de produzir prova para o processo criminal, como é o caso do depoimento especial.

Fonte: FGV TJ-SC 2023 Juiz Substituto (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.

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