Questão nº 50
Questão de Direito Processual Penal · FGV TJ-PR 2023 (nº 50)
Parmênides foi condenado pelo Tribunal do Júri à pena de 10 anos de reclusão em razão da prática do crime de homicídio tentado praticado contra Diógenes. O Ministério Público, no prazo legal, recorreu de todo o conteúdo impugnável da sentença, inclusive visando à majoração da pena imposta.
Quanto a Diógenes, vítima do crime e que não se habilitou como assistente, é correto afirmar que:
- Apoderá interpor recurso de apelação, no prazo de 15 dias, se o Ministério Público desistir do recurso que haja interposto;
- Bnão poderá interpor recurso de apelação, em razão de o Ministério Público ter interposto um recurso total; (alternativa correta)
- Cpoderá interpor recurso de apelação, no prazo de 5 dias, se o Ministério Público desistir do recurso que haja interposto;
- Dnão poderá interpor recurso de apelação, mas poderá interpor recurso em sentido estrito, no prazo de 5 dias, após o recurso do Ministério Público;
- Epoderá interpor recurso de apelação, no prazo de 15 dias, após o recurso do Ministério Público, visando ao agravamento da pena imposta a Parmênides.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa B
O direito da vítima de recorrer em um processo criminal é, em regra, subsidiário ao do Ministério Público (MP). Isso significa que a vítima só pode recorrer se o MP não o fizer, ou se o recurso do MP for parcial e a vítima quiser complementar, ou ainda se o MP desistir do recurso.
- (A) Incorreta: Embora a desistência do MP possa abrir a possibilidade de recurso para o assistente de acusação (que Diógenes não é), o prazo de 15 dias é geralmente associado ao assistente quando o MP não recorre ou desiste. Para a vítima não habilitada, a regra geral do Art. 598 do CPP é que ela só recorre se o MP não recorrer.
- (B) Correta: Conforme o Art. 598, caput, do Código de Processo Penal (CPP), o ofendido (vítima) só poderá recorrer da sentença "desde que o Ministério Público não o faça". Como o Ministério Público já interpôs um recurso total, abrangendo todo o conteúdo impugnável e buscando a majoração da pena, a vítima, que não se habilitou como assistente de acusação, perde sua legitimidade recursal subsidiária.
- (C) Incorreta: Assim como na alternativa A, a condição de "se o Ministério Público desistir" não se aplica diretamente à situação inicial, e o prazo de 5 dias para o assistente é geralmente quando o MP recorre parcialmente. A vítima não habilitada tem seu direito de recorrer condicionado à inércia do MP.
- (D) Incorreta: O Recurso em Sentido Estrito (RESE) possui hipóteses de cabimento taxativas (Art. 581 do CPP) e não é um recurso substitutivo da apelação para a vítima nesta situação. A questão trata especificamente da apelação.
- (E) Incorreta: Armadilha da banca: Esta alternativa é tentadora porque a vítima naturalmente deseja o agravamento da pena. No entanto, ela ignora a regra fundamental da subsidiariedade do direito de recorrer da vítima não habilitada como assistente. Se o Ministério Público já recorreu de forma total, buscando inclusive a majoração da pena (ou seja, já fez o que a vítima provavelmente faria), a vítima não tem mais legitimidade para interpor apelação, conforme o Art. 598 do CPP. O prazo de 15 dias também é tipicamente para o assistente quando o MP não recorre.
Fonte: FGV TJ-PR 2023 Juiz Substituto (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.