Questão nº 47
Questão de Direito Processual Penal · FGV TJ-PR 2023 (nº 47)
No que diz respeito à prisão e às medidas cautelares no processo penal brasileiro, é correto afirmar que:
- Aas medidas cautelares poderão ser aplicadas isoladamente, mas não cumulativamente, em razão do princípio da subsidiariedade;
- Ba prisão preventiva do acusado poderá ser decretada quando for cabível a sua substituição por outra medida cautelar menos gravosa;
- Ca prisão temporária poderá ser decretada pelo juiz de ofício, sem requerimento do Ministério Público ou representação da autoridade policial;
- Da medida cautelar poderá ser revogada ou substituída de ofício pelo juiz, ou a requerimento das partes, quando se verificar a falta de motivo para que subsista; (alternativa correta)
- Ea prisão preventiva poderá ser decretada nos crimes culposos punidos com pena privativa de liberdade máxima superior a 4 anos.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa D
As medidas cautelares são providências tomadas durante o processo penal para garantir o bom andamento da investigação ou da ação penal, proteger a sociedade ou a vítima, ou evitar a fuga do acusado, sem que isso represente uma condenação definitiva.
(A) Incorreta: As medidas cautelares podem ser aplicadas cumulativamente, sim, conforme o parágrafo único do Art. 319 do Código de Processo Penal (CPP), que permite ao juiz aplicar "isolada ou cumulativamente" as medidas. O princípio da subsidiariedade se refere mais à prisão preventiva como última opção, não impedindo a cumulação de outras medidas.
(B) Incorreta: A prisão preventiva só pode ser decretada quando as medidas cautelares diversas da prisão forem insuficientes ou inadequadas para o caso concreto, e não quando for cabível a sua substituição. Se uma medida menos gravosa é cabível e suficiente, a prisão preventiva não deve ser decretada, em respeito aos princípios da proporcionalidade e da subsidiariedade (Art. 282, § 6º, e Art. 319 do CPP).
(C) Incorreta: A prisão temporária, prevista na Lei nº 7.960/89, não pode ser decretada de ofício pelo juiz. Ela exige requerimento do Ministério Público ou representação da autoridade policial (Art. 2º da Lei nº 7.960/89).
(D) Correta: Uma medida cautelar pode ser revogada ou substituída pelo juiz, seja por sua própria iniciativa (de ofício) ou a pedido das partes, caso os motivos que justificaram sua aplicação deixem de existir. Este é o princípio do rebus sic stantibus, que significa que as medidas cautelares duram enquanto persistirem as condições que as justificam (Art. 282, § 5º, do CPP).
(E) Incorreta: A prisão preventiva, via de regra, só pode ser decretada em crimes dolosos (com intenção) cuja pena privativa de liberdade máxima seja superior a 4 anos. Crimes culposos (sem intenção) não autorizam a prisão preventiva, salvo exceções muito específicas não abrangidas pela generalidade da afirmação (Art. 313, I, do CPP).
Fonte: FGV TJ-PR 2023 Juiz Substituto (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.