Questão nº 46

Questão de Direito Processual Penal · FGV TJ-PR 2023 (nº 46)

FGV2023Juiz SubstitutoDireito Processual Penal
Gabarito: Cver comentário ↓

Átila foi processado pelo Ministério Público em razão da prática do crime de estupro, tendo como vítima Messalina. Ao final do processo, após as alegações finais das partes, e não o tendo requerido o Ministério Público, o juiz determinou de ofício a realização de exame pericial no esperma colhido no corpo da vítima, sob a fundamentação de que ainda havia questão relevante a ser dirimida.

Diante do caso exposto, é correto afirmar que o juiz:

Resposta comentada

Gabarito Alternativa C

O juiz, no processo penal, tem o poder de determinar a produção de provas por conta própria (iniciativa probatória ou poder instrutório), mesmo que as partes não tenham pedido, se considerar que são essenciais para esclarecer a verdade dos fatos e garantir uma decisão justa, mesmo após a fase de coleta de provas, mas antes de dar a sentença. Isso se baseia no princípio da busca da verdade real.

  • (A) Incorreta: A preclusão, embora regra para as partes no processo, não impede o juiz de determinar provas de ofício quando indispensáveis para a verdade, conforme o art. 156, II, do Código de Processo Penal (CPP).
    • Armadilha: A armadilha aqui é a ideia de que a preclusão processual se aplica de forma absoluta ao juiz. No entanto, o CPP concede ao magistrado um poder instrutório residual, justamente para buscar a verdade real, que pode ser exercido mesmo após o encerramento da instrução probatória pelas partes.
  • (B) Incorreta: O crime de estupro é de ação penal pública (condicionada à representação ou incondicionada, dependendo do caso), não de ação penal de iniciativa privada, sendo o Ministério Público o autor da ação.
  • (C) Correta: O juiz possui poder instrutório (art. 156, II, do CPP) para determinar a produção de provas de ofício, a qualquer tempo, inclusive após as alegações finais e antes de proferir a sentença, se considerar indispensável para esclarecer a verdade sobre ponto relevante.
  • (D) Incorreta: Embora seja papel do Ministério Público requerer provas, a omissão da parte não retira o poder do juiz de determinar a produção de prova de ofício, se a considerar essencial para a busca da verdade real.
  • (E) Incorreta: O poder instrutório do juiz não depende da concordância das partes, nem mesmo da defesa, pois visa à busca da verdade real e à justiça do caso concreto, e não a beneficiar ou prejudicar uma parte específica.

Fonte: FGV TJ-PR 2023 Juiz Substituto (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.

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