Questão nº 65
Questão de Direito Constitucional · FGV TJ-MS 2023 (nº 65)
João, juiz de Direito, sofreu sanção disciplinar que foi aplicada pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ao reformar decisão absolutória proferida pelo Tribunal local. Cinco meses depois, após muito refletir sobre os diversos incidentes ocorridos no curso da relação processual, identificou uma irregularidade que, a seu ver, configurava nulidade absoluta. Por tal razão, decidiu ingressar com uma medida judicial visando à declaração de nulidade da decisão proferida.
João deve ajuizar:
- Aação em face da União, sendo um juiz federal competente para processá-la e julgá-la;
- Bação em face da União, sendo o Supremo Tribunal Federal competente para processá-la e julgá-la; (alternativa correta)
- Cmandado de segurança contra ato do CNJ, sendo um juiz federal competente para processá-lo e julgá-lo;
- Dmandado de segurança contra ato do CNJ, sendo o Supremo Tribunal Federal competente para processá-lo e julgá-lo;
- Eação ou mandado de segurança, conforme sua livre escolha, sendo um juiz federal competente para processar e julgar a primeira, enquanto o Supremo Tribunal Federal o será para o segundo.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa B
O conceito-chave aqui é a competência do Supremo Tribunal Federal (STF) para julgar ações que questionam atos do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O STF é o único tribunal que pode revisar as decisões do CNJ, seja por meio de mandado de segurança ou de uma ação comum.
- (A) Incorreta: A ação é contra o CNJ, que é um órgão da União, mas a competência para julgar ações contra o CNJ não é de um juiz federal, e sim do STF.
- (B) Correta: O Supremo Tribunal Federal (STF) é o órgão competente para processar e julgar ações contra o CNJ, conforme o art. 102, inciso I, alínea "r", da Constituição Federal. A ação é proposta em face da União, pois o CNJ é um órgão da União. Como o prazo de 120 dias para Mandado de Segurança já havia expirado (5 meses), a via adequada é uma ação ordinária (anulatória ou declaratória de nulidade), que não possui esse prazo decadencial específico.
- (C) Incorreta: A competência para julgar mandado de segurança contra ato do CNJ é do STF, não de um juiz federal. Além disso, o prazo de 5 meses já ultrapassou o prazo decadencial de 120 dias para impetração de mandado de segurança.
- (D) Incorreta: Embora o STF seja competente para julgar mandado de segurança contra atos do CNJ (art. 102, I, "r", da CF), o problema informa que João identificou a irregularidade cinco meses depois. O prazo para impetrar mandado de segurança é de 120 dias (Lei nº 12.016/2009, art. 23). Como 5 meses (aproximadamente 150 dias) já se passaram, o mandado de segurança estaria decadente, tornando essa via processual inviável. A armadilha da banca é que o STF teria a competência, mas o prazo impede a utilização do MS.
- (E) Incorreta: Não há livre escolha irrestrita, especialmente pelo prazo decadencial do mandado de segurança. Além disso, a competência para julgar ações contra o CNJ (seja ação ordinária ou mandado de segurança) é do STF, não de um juiz federal.
Fonte: FGV TJ-MS 2023 Juiz Substituto (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.