Questão nº 64

Questão de Direito Constitucional · FGV TJ-MS 2023 (nº 64)

FGV2023Juiz SubstitutoDireito Constitucional
Gabarito: Dver comentário ↓

Com o objetivo de conferir maior tecnicismo ao julgamento das contas de gestão apresentadas anualmente pelo prefeito municipal, a Câmara Municipal de Alfa alterou o seu regimento interno para dispor que, uma vez recebido o parecer prévio emitido pelo Tribunal de Contas, as respectivas contas somente seriam submetidas a julgamento pelo Plenário da Câmara Municipal se, nos trinta dias subsequentes, algum vereador o requeresse. O regimento interno ainda passou a dispor que, em sendo apreciado pelo Plenário, o parecer do Tribunal de Contas somente deixaria de prevalecer pelo voto de dois terços dos membros da Casa Legislativa.
À luz da Constituição da República de 1988, é correto afirmar que a sistemática prevista no regimento interno da Câmara Municipal de Alfa é:

Resposta comentada

Gabarito Alternativa D

O julgamento das contas do prefeito é uma atribuição exclusiva da Câmara Municipal, que se baseia no parecer prévio emitido pelo Tribunal de Contas. A Câmara Municipal tem o dever constitucional de deliberar expressamente sobre essas contas, não podendo haver aprovação tácita ou automática.

  • (A) Incorreta: Embora a autonomia municipal seja um princípio, ela não pode contrariar a Constituição Federal. A exigência de que as contas só sejam julgadas se um vereador requerer viola o dever de deliberação da Câmara, mesmo que o quórum de 2/3 para rejeição do parecer seja o correto.
  • (B) Incorreta: O Tribunal de Contas emite parecer prévio sobre todas as contas anuais do prefeito (que englobam tanto as de governo quanto as de gestão), e não as julga. O julgamento final é sempre da Câmara Municipal. A afirmação de que o TC julga as contas de gestão está incorreta.
  • (C) Incorreta: O número de votos para que o parecer prévio do Tribunal de Contas não prevaleça é de dois terços (2/3) dos membros da Câmara Municipal, conforme o Art. 31, § 2º, da Constituição Federal, e não três quintos.
  • (D) Correta: A sistemática é inconstitucional porque a Câmara Municipal tem o dever constitucional de deliberar expressamente sobre as contas do prefeito. Não se pode considerar o parecer do Tribunal de Contas aprovado por inércia ou falta de requerimento de um vereador; a deliberação é obrigatória e ativa, independentemente do teor do parecer.
  • (E) Incorreta: A sistemática descrita não é constitucional. O princípio da simetria constitucional exige que os municípios sigam as regras federais e estaduais aplicáveis, e a Constituição Federal impõe a deliberação expressa sobre as contas, o que não foi observado na alteração regimental.

Fonte: FGV TJ-MS 2023 Juiz Substituto (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.

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