Questão nº 92

Questão de Direitos Difusos e Coletivos · FGV MP-RJ Promotor 2025 (nº 92)

FGV2025Promotor de Justiça SubstitutoDireitos Difusos e Coletivos
Gabarito: Bver comentário ↓

O ex-Prefeito do Município X foi condenado, em três processos, por ato de improbidade administrativa a ressarcir o respectivo dano ao erário.

Ocorre que, durante a fase do cumprimento da sentença, restou apurado que o demandado possuía em seu nome apenas um automóvel, ano 1994, no valor de R$ 17.000,00 (dezessete mil reais), montante insuficiente para cobrir o dano a ser ressarcido, pois, ainda durante a fase de conhecimento, transferiu todos os seus imóveis e valores em espécie para formar o capital social de uma sociedade empresária familiar, da qual seus dois filhos também são sócios.

A pedido do Ministério Público, o Juiz reconheceu a ocorrência de fraude à execução nos três processos, nos termos do Art. 792 do Código de Processo Civil.

Na qualidade de Promotor(a) de Justiça com atribuição para tutela do patrimônio público, analise a hipótese e assinale a afirmativa correta.

Resposta comentada

Gabarito Alternativa B

Quando um ex-agente público tenta esconder bens para não pagar o que deve ao erário, isso não é apenas uma fraude na execução; a empresa usada para essa manobra pode ser responsabilizada por atos contra a administração pública.

(A) Incorreta: Embora o reconhecimento da fraude à execução seja correto, a afirmação de que não há "repercussões extrajudiciais diversas" é limitadora e falsa, pois a conduta pode ensejar outras investigações e sanções.
(B) Correta: A Lei Anticorrupção (Lei nº 12.846/2013) permite responsabilizar pessoas jurídicas por atos lesivos à administração pública, e a constituição de uma empresa para ocultar bens e frustrar o ressarcimento ao erário se enquadra nessa possibilidade, justificando a instauração de inquérito civil.
(C) Incorreta: A Lei nº 14.230/2021 alterou a Lei de Improbidade, mas o princípio do bis in idem (dupla punição pelo mesmo fato) não impede a responsabilização da pessoa jurídica pela Lei Anticorrupção, já que a Lei de Improbidade mira o agente público, e a Lei Anticorrupção, a empresa.
(D) Incorreta: Embora a liberdade econômica e a personalidade jurídica própria sejam princípios válidos, eles não são absolutos e podem ser afastados pela desconsideração da personalidade jurídica em casos de fraude ou abuso de direito, como o uso da empresa para ocultar patrimônio e lesar o erário.
(E) Incorreta: A constituição da sociedade empresária com o fim de fraudar a execução, embora grave, não se enquadra diretamente como ato de improbidade administrativa por atentar contra princípios (Art. 11 da LIA) para todos os sócios sem prova de dolo específico deles na improbidade original. A Lei de Improbidade foca no agente público e seus atos.

Fonte: FGV MP-RJ Promotor 2025 Promotor de Justiça Substituto (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.

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