Questão nº 52

Questão de Direito Constitucional · FGV MP-RJ Promotor 2025 (nº 52)

FGV2025Promotor de Justiça SubstitutoDireito Constitucional
Gabarito: Cver comentário ↓

O Estado Alfa editou a Lei nº X, dispondo sobre certos deveres do Estado em relação à guarda e à administração das unidades prisionais para presos definitivos ou provisórios.

Cerca de dois anos depois, a mesma temática passou a ser disciplinada em âmbito nacional pela Lei Federal nº Y, que dispôs em sentido diametralmente oposto ao da Lei nº X.

Pouco tempo depois, uma organização não governamental (ONG), que desconhecia a existência da Lei Federal nº Y, encaminhou requerimento ao Procurador-Geral de Justiça do Estado Alfa para que fosse ajuizada Representação de Inconstitucionalidade (RI) perante o Tribunal de Justiça (TJ), sob o argumento de que a Lei nº X afrontava normas da Constituição da República (CR) afetas aos direitos fundamentais e à competência legislativa.

O Procurador-Geral de Justiça observou corretamente que a Lei nº X

Resposta comentada

Gabarito Alternativa C

Quando uma lei federal geral (que estabelece normas básicas) surge e entra em conflito com uma lei estadual anterior sobre o mesmo assunto, em matérias onde a competência para legislar é compartilhada (concorrente) entre a União e os Estados, a lei estadual não é revogada, mas tem sua eficácia suspensa, ou seja, ela para de produzir efeitos. Mesmo com a eficácia suspensa, a lei estadual ainda pode ser questionada judicialmente por inconstitucionalidade.

  • (A) Incorreta: A superveniência de lei federal sobre normas gerais em matéria de competência concorrente suspende a eficácia da lei estadual no que lhe for contrário (Art. 24, § 4º, CR), não a revoga. A lei estadual continua existindo no ordenamento jurídico, podendo, inclusive, ter sua eficácia restabelecida caso a lei federal seja revogada. Por isso, há interesse de agir para o controle de constitucionalidade, visando a sua retirada definitiva do ordenamento. Armadilha da banca: Confundir "suspensão de eficácia" com "revogação". Se a lei fosse revogada, não haveria interesse em questioná-la.
  • (B) Incorreta: Embora a lei não esteja produzindo efeitos (por ter sua eficácia suspensa), ela pode sim ser objeto de Representação de Inconstitucionalidade (RI). A RI estadual tem como parâmetro a Constituição Estadual, mas esta frequentemente reproduz normas da Constituição Federal (CR), especialmente as relativas a direitos fundamentais e competência legislativa, permitindo o controle pelo Tribunal de Justiça com base nessas normas reproduzidas.
  • (C) Correta: A Lei nº X, por tratar de matéria de competência concorrente e ser contrária à superveniente Lei Federal nº Y (que estabelece normas gerais), tem sua eficácia suspensa (Art. 24, § 4º, CR). No entanto, a suspensão da eficácia não impede que a lei seja objeto de controle de constitucionalidade. Pelo contrário, a declaração de inconstitucionalidade a retiraria definitivamente do ordenamento jurídico. A RI estadual pode ter como parâmetro as normas da Constituição da República, desde que estas sejam reproduzidas na Constituição Estadual ou sirvam de princípios implícitos para o controle de constitucionalidade estadual.
  • (D) Incorreta: A matéria de "guarda e administração das unidades prisionais" geralmente se enquadra na competência legislativa concorrente (Art. 24, I, CR - direito penitenciário), e não na competência privativa da União (Art. 22, CR). Se fosse privativa, a lei estadual seria inválida por vício de competência ab initio. Além disso, a afirmação de que "não pode ser objeto de RI em cotejo com a CR" é incorreta, como explicado na alternativa B.
  • (E) Incorreta: A Lei nº X não está em vigor no sentido de produzir efeitos, pois sua eficácia foi suspensa pela superveniência da Lei Federal nº Y (Art. 24, § 4º, CR). Embora a segunda parte da alternativa ("podendo ser objeto de RI, desde que as normas da CR, que alegadamente afrontou, tenham sido reproduzidas na Constituição do Estado Alfa") esteja correta quanto à possibilidade do controle de constitucionalidade estadual, a premissa inicial de que a lei está em vigor é falsa.

Fonte: FGV MP-RJ Promotor 2025 Promotor de Justiça Substituto (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.

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