Questão nº 12

Questão de Direito Constitucional · FGV MP-GO 2023 (nº 12)

FGV2023Promotor de Justiça SubstitutoDireito Constitucional
Gabarito: Ever comentário ↓

Determinado partido político com representação no Congresso Nacional ajuizou Ação Direta de Inconstitucionalidade, com pedido de concessão de medida cautelar, contra artigos de Resolução do Tribunal Superior Eleitoral, alegando que o ato impugnado inova no ordenamento jurídico, mediante estabelecimento de novas vedações e sanções distintas das previstas em lei, viola a competência legislativa da União sobre Direito Eleitoral e fere a liberdade de manifestação do pensamento, independentemente de censura prévia, ao vedar a divulgação ou compartilhamento de fatos sabidamente inverídicos ou gravemente descontextualizados, locução cuja vagueza conceitual não há de alcançar a liberdade de opinião e o direito à informação sobre esses mesmos fatos, bem como permite indevidamente a suspensão temporária de perfis existentes em redes sociais.
Diante do exposto e da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, é correto afirmar que o pleito deve ser julgado

Resposta comentada

Gabarito Alternativa E

A competência normativa do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) permite-lhe editar resoluções para regulamentar as leis eleitorais e garantir a lisura do pleito. Contudo, essa competência não é ilimitada e deve respeitar a Constituição, especialmente a liberdade de expressão, que, embora fundamental, não é um direito absoluto e pode ser ponderada com outros valores constitucionais, como a integridade do processo democrático.

  • (A) Incorreta: O Supremo Tribunal Federal (STF) tem reconhecido a competência regulamentar do TSE para editar normas que visem à proteção do processo eleitoral, especialmente contra a desinformação, não configurando, em regra, usurpação de competência legislativa da União, mas sim o exercício de sua atribuição constitucional e legal de organizar e fiscalizar as eleições.
  • (B) Incorreta: Embora a competência normativa do TSE seja admitida, a Constituição Federal proíbe expressamente a censura prévia (Art. 220, § 2º). O STF diferencia a remoção de conteúdo ilícito a posteriori de medidas que configurem censura prévia. A justificativa de que a resolução implicaria em censura prévia, mesmo que sob o poder de polícia, tornaria a alternativa incorreta, pois a censura prévia é vedada.
  • (C) Incorreta: O princípio da legalidade não é violado quando o TSE, no exercício de sua competência regulamentar, edita resoluções para detalhar e operacionalizar as leis eleitorais, preenchendo lacunas ou adaptando-as a novas realidades, como a disseminação de desinformação, desde que não crie direitos ou obrigações não previstos em lei de forma desarrazoada.
  • (D) Incorreta: Embora as regras do TSE devam respeitar os princípios mencionados, a jurisprudência do STF entende que as resoluções que visam combater a desinformação e garantir a integridade do processo eleitoral servem justamente para proteger a igualdade política, a igualdade de oportunidades e a própria liberdade de expressão (ao coibir abusos que a deturpam), e não para violá-los.
  • (E) Correta: A liberdade de expressão não é um direito absoluto, podendo sofrer restrições legítimas quando confrontada com outros valores constitucionais de igual ou maior peso, como a proteção do regime democrático e a garantia de eleições livres e justas. As resoluções do TSE que buscam combater a desinformação ("fatos sabidamente inverídicos ou gravemente descontextualizados") e o abuso da liberdade de expressão são consideradas medidas proporcionais e necessárias para resguardar a integridade do processo eleitoral e a própria democracia.

Fonte: FGV MP-GO 2023 Promotor de Justiça Substituto (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.

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