Questão nº 17

Questão de Direito Administrativo · FGV ENAM 2024 (nº 17)

FGV2024MagistraturaDireito Administrativo
Gabarito: Dver comentário ↓

Um determinado Município instituiu empresa pública, em regime não concorrencial, mediante autorização legislativa, para exercer poder de polícia de trânsito, inclusive quanto à aplicação de multas.
De acordo com a jurisprudência do STF a respeito do poder de polícia administrativa, assinale a afirmativa correta.

Resposta comentada

Gabarito Alternativa D

O poder de polícia é a capacidade que a Administração Pública tem de limitar a liberdade e a propriedade das pessoas para proteger o interesse coletivo (como segurança, saúde, meio ambiente). Embora a regra geral seja que as atividades mais essenciais desse poder não podem ser delegadas a entidades puramente privadas, o Supremo Tribunal Federal (STF) tem um entendimento específico para as empresas estatais que prestam serviços públicos em regime não concorrencial.

(A) Incorreta: A afirmação de que a lei autorizadora é compatível está correta, mas a segunda parte está errada. Empresas públicas e sociedades de economia mista que prestam serviço público em regime não concorrencial (como a do caso) podem, sim, gozar da imunidade tributária recíproca, conforme entendimento do STF (art. 150, VI, "a", da CF/88, interpretado pelo STF).
(B) Incorreta: A lei autorizadora é compatível, e não há uma incompatibilidade absoluta entre o regime celetista dos empregados de estatais e o exercício de atividades de polícia administrativa, desde que a entidade atue em regime não concorrencial e preste serviço público, como o STF já decidiu.
(C) Incorreta: Armadilha da banca: Esta alternativa tenta te enganar ao afirmar que a aplicação de sanção (multa) não pode ser delegada. No entanto, o STF (no RE 633.782, com repercussão geral) pacificou o entendimento de que a fiscalização e a aplicação de sanções (como multas de trânsito) podem ser delegadas a pessoas jurídicas de direito privado integrantes da Administração Pública indireta (como empresas públicas), desde que atuem em regime não concorrencial e prestem serviço público. O que não pode ser delegado é a edição de leis e o consentimento (licenças/autorizações).
(D) Correta: Esta alternativa está perfeitamente alinhada com a jurisprudência do STF. O Tribunal entende que a delegação de componentes do poder de polícia, como a fiscalização e a aplicação de sanções (multas), é constitucionalmente possível para pessoas jurídicas de direito privado da Administração Pública indireta (como empresas públicas e sociedades de economia mista), desde que elas atuem em regime não concorrencial e prestem serviço público, como é o caso da empresa pública descrita na questão.
(E) Incorreta: A lei autorizadora é compatível. A afirmação de que estatais não podem fazer uso da coercibilidade é falsa, pois a aplicação de multas é um ato coercitivo e o STF permite essa delegação nas condições mencionadas na alternativa D.

Fonte: FGV ENAM 2024 Magistratura (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.

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