Questão nº 61

Questão de Direito Civil · FGV ENAM 2024.2 (nº 61)

FGV2024MagistraturaDireito Civil
Gabarito: Dver comentário ↓

A família de Teodoro Madureira notificou extrajudicialmente a sociedade empresária de previdência privada, Vida Longínqua S.A., informando o falecimento do segurado. A notificação do falecimento foi enviada ao negócio 72 horas após o ocorrido, anexando a certidão de óbito. Apesar disso, durante seis meses, a sociedade empresária de previdência privada depositou o valor do benefício da aposentadoria contratada. O contrato estipulava o desembolso do benefício de maneira vitalícia, não havendo a incidência de pensão a qualquer beneficiário.
Diante da situação hipotética narrada, considerando que Vida Longínqua S.A. pretende a restituição dos valores pagos após o falecimento de Teodoro, assinale a afirmativa correta.

Resposta comentada

Gabarito Alternativa D

O pagamento indevido ocorre quando alguém paga algo que não devia, ou paga a quem não era o credor, ou recebe algo a que não tinha direito. A pessoa que recebeu o pagamento sem justa causa é obrigada a restituí-lo, para evitar o enriquecimento sem causa (também chamado de enriquecimento ilícito).

  • (A) Incorreta: O ordenamento jurídico brasileiro não admite a repetição (restituição) quando o devedor pagou uma obrigação judicialmente inexigível, como uma dívida prescrita (obrigação natural). Nesses casos, o pagamento é válido e irrepetível.
  • (B) Incorreta: A obrigação de restituir o pagamento indevido surge da própria ausência de causa para o recebimento, e não da existência prévia de uma relação jurídica contratual entre o recebedor e o pagador para aquele pagamento específico. A família recebeu valores que não lhes eram devidos, criando a obrigação de restituir.
  • (C) Incorreta: Embora o enriquecimento sem causa seja o fundamento da restituição, a afirmação de que a falta de má-fé gera a restituição sem a atualização dos valores monetários está incorreta. A atualização monetária visa apenas preservar o poder de compra da moeda e é devida independentemente da boa ou má-fé do recebedor, geralmente a partir do recebimento indevido. A má-fé pode influenciar a incidência de juros e outras penalidades, mas não a correção monetária. (Armadilha da banca: Mistura conceitos corretos (enriquecimento ilícito, má-fé) com uma afirmação incorreta sobre a atualização monetária, que é um ponto técnico específico.)
  • (D) Correta: Conforme o Art. 877 do Código Civil, "Àquele que voluntariamente pagou o indevido incumbe a prova de tê-lo feito por erro." Como a Vida Longínqua S.A. efetuou os pagamentos de forma voluntária (mesmo após a notificação do óbito), caberá a ela provar que o fez por erro (por exemplo, falha administrativa em processar a notificação), para ter direito à restituição.
  • (E) Incorreta: Esta alternativa inverte a lógica do pagamento indevido. A restituição é devida justamente quando deixa de existir a causa que justificava o enriquecimento (no caso, a morte de Teodoro fez cessar a causa dos pagamentos, tornando-os indevidos). Portanto, a restituição seria devida, não indevida.

Fonte: FGV ENAM 2024.2 Magistratura (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.

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