Questão nº 5

Questão de Direito Constitucional · FGV ENAM 2024.2 (nº 5)

FGV2024MagistraturaDireito Constitucional
Gabarito: Cver comentário ↓

Maria, política muito conhecida no cenário nacional, tendo ocupado por décadas inúmeros cargos de grande relevância nas estruturas estatais de poder, foi convidada, pelo editor de um conhecido e tradicional periódico, a participar de uma entrevista sobre sua vida profissional, com o objetivo de subsidiar reportagem que seria direcionada especificamente a ela.
Como Maria protagonizara diversas controvérsias em sua atuação funcional e não mais ocupava qualquer cargo público, decidiu não conceder a entrevista, de modo a preservar a sua esfera jurídica. Apesar disso, o referido periódico dedicou uma edição inteira à análise da vida pública de Maria, realizando críticas ácidas à sua atuação funcional, o que ocorreu sem que tivesse conhecimento prévio do teor da matéria, desagradando-a profundamente.
Considerando os balizamentos oferecidos pela sistemática constitucional, assinale a afirmativa correta.

Resposta comentada

Gabarito Alternativa C

O conceito-chave aqui é a ponderação de direitos fundamentais, ou seja, como o Judiciário equilibra a liberdade de expressão (incluindo a liberdade de imprensa e de crítica) e o direito à honra de um indivíduo, especialmente quando se trata de uma figura pública e de sua atuação em cargos de poder.

  • (A) Incorreta: A ideia de "reportagem neutral" como condição de licitude é uma armadilha. A liberdade de expressão jornalística não exige neutralidade de opinião ou de crítica. Críticas, mesmo que "ácidas", são protegidas pela liberdade de expressão, desde que não configurem calúnia, difamação ou injúria e se refiram a fatos ou opiniões sobre a atuação pública. A acidez da crítica, por si só, não a torna ilícita.
  • (B) Incorreta: A recusa de Maria em conceder entrevista é um direito dela, mas não impede o periódico de publicar uma reportagem sobre sua vida pública. A liberdade de imprensa e o interesse público em figuras que ocuparam cargos de relevância não dependem da concordância ou participação do biografado.
  • (C) Correta: As liberdades de pensamento e expressão, essenciais para a democracia, têm um peso maior quando se trata da análise da vida pública de uma figura que ocupou cargos de relevância. O interesse público em fiscalizar e criticar a atuação de quem esteve no poder é fundamental. As críticas, mesmo que "ácidas", são parte desse escrutínio e são protegidas, desde que não extrapolem os limites da legalidade (como calúnia, difamação ou injúria).
  • (D) Incorreta: A afirmação de que a liberdade de expressão "sempre prepondera" é um exagero. Não há direitos fundamentais absolutos. Sempre há uma ponderação. Embora a liberdade de expressão tenha um escopo mais amplo para figuras públicas, ela encontra limites na proteção da honra contra abusos (como a veiculação de informações sabidamente falsas com o intuito de denegrir, ou ofensas pessoais desvinculadas de interesse público).
  • (E) Incorreta: O interesse público na atuação de uma figura que ocupou cargos importantes não desaparece quando ela deixa o cargo. As ações e decisões tomadas enquanto estava no poder continuam sendo de interesse público e sujeitas a escrutínio e crítica, independentemente de ela ainda estar em função. A ponderação não se inverte automaticamente.

Fonte: FGV ENAM 2024.2 Magistratura (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.

Continue estudando

Estudar é izi

Pratique milhares de questões como esta, de graça, com explicação e gamificação no Quizinho.

Estudar de graça no Quizinho