Questão nº 68
Questão de Direito Eleitoral · FGV ALESC 2024 (nº 68)
João, filiado ao Partido Político Beta, foi eleito Deputado Federal. Em razão dos esforços de Beta e da importante camada da população cujos anseios busca expressar, esse Partido Político logrou êxito em eleger 14 (quatorze) Deputados Federais, distribuídos em 10 (dez) Estados da Federação. Apesar disso, poucos dias após a posse no cargo, João decidiu que teria maior realização no Partido Político Sigma, que elegera 30 (trinta) Deputados Federais, também distribuídos em 10 (dez) Estados.
Ao consultar um especialista, foi corretamente informado a João que
- Aele somente pode se filiar a Sigma, sem a perda do mandato, caso haja aquiescência de Beta.
- Bcomo ele foi eleito pelo sistema proporcional, o mandato pertence a Beta, logo, caso ele se filie a Sigma, perderá o mandato.
- Cé possível a filiação a Sigma, sem a perda do mandato, e essa filiação será considerada para fins de acesso gratuito ao tempo de rádio e de televisão.
- Dé possível a filiação a Sigma, sem a perda do mandato, mas essa filiação não será considerada para fins de distribuição dos recursos do fundo partidário. (alternativa correta)
- Esomente será possível a filiação a Sigma, sem perda do mandato, no último ano da legislatura, no período mínimo de filiação partidária exigido para fins de registro de candidatura.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa D
A fidelidade partidária é a regra que exige que um político eleito por um partido permaneça filiado a ele durante o mandato. Se ele sair sem uma justificativa legal (chamada "justa causa") ou fora de um período específico ("janela partidária"), pode perder o cargo. No entanto, mesmo quando a saída é permitida, há consequências para o novo partido em relação aos recursos públicos.
- (A) Incorreta: A aquiescência (permissão) do partido de origem não é um requisito legal para a mudança de partido sem perda de mandato nos casos de justa causa ou janela partidária.
- (B) Incorreta: Esta alternativa descreve a regra geral da fidelidade partidária. O mandato de Deputado Federal, eleito pelo sistema proporcional, pertence ao partido. Contudo, existem exceções à perda do mandato, como a "janela partidária" ou quando o partido de origem não atinge a cláusula de desempenho. A questão, ao indicar que a alternativa D é a correta, pressupõe que uma dessas exceções se aplica, permitindo a João a mudança sem perda do mandato. Armadilha da banca: Esta é a regra mais conhecida, e muitos cairiam nela por não considerarem as exceções ou o que a questão realmente quer testar.
- (C) Incorreta: Embora a filiação possa ser possível sem perda do mandato (assumindo uma justa causa ou janela aplicável), a filiação a um novo partido após a eleição não é considerada para fins de distribuição do tempo de rádio e televisão. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) entende que a distribuição desses recursos se baseia na composição partidária resultante das urnas.
- (D) Correta: É possível que João mude de partido sem perder o mandato, caso se enquadre em uma das exceções legais (por exemplo, se o Partido Beta não atingiu a cláusula de desempenho, ou por justa causa como grave discriminação pessoal). No entanto, mesmo que a mudança seja permitida, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já decidiu que os deputados que mudam de partido após a eleição não são contabilizados para o cálculo da distribuição dos recursos do Fundo Partidário e do tempo de rádio e televisão para o novo partido. Essa medida visa evitar o "balcão de negócios" de mandatos e fortalecer a fidelidade partidária.
- (E) Incorreta: A "janela partidária" (período em que a mudança é permitida sem perda de mandato) ocorre no último ano da legislatura, 30 dias antes do prazo final de filiação para a eleição seguinte. O enunciado diz que João decidiu mudar "poucos dias após a posse no cargo", o que não se encaixa nesse período.
Fonte: FGV ALESC 2024 Analista Legislativo III - Direito (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.