Questão nº 96

Questão de Direito Ambiental · FGV AGE-MG Procurador do Estado 2022 (nº 96)

FGV2022Procurador do EstadoDireito Ambiental
Gabarito: Cver comentário ↓

Alfredo, em 2015, represou um curso d'água que cortava seu imóvel, para construir um pequeno parque aquático para seus netos. Durante as obras, Alfredo causou poluição hídrica e supressão vegetal em área de preservação permanente, tudo sem qualquer autorização do poder público.
Em 2020, Alfredo vendeu o imóvel a Joaquim, sendo certo que até a presente data não houve recuperação ou compensação pelos danos ambientais provocados e as piscinas naturais construídas permanecem sendo utilizadas.
O Ministério Público - MP instaurou inquérito civil para apurar a ocorrência de danos ambientais e obteve um laudo da Secretaria Municipal de Meio Ambiente confirmando e descrevendo tais danos.
Em 2022, o MP ajuizou ação civil pública em face de Joaquim, pleiteando medidas para a recomposição ambiental.
No caso em tela, de acordo com a jurisprudência dos Tribunais Superiores,

Resposta comentada

Gabarito Alternativa C

A obrigação propter rem é aquela que acompanha o bem, ou seja, a responsabilidade por um dano ambiental recai sobre o atual proprietário do imóvel, mesmo que ele não tenha sido o causador original. A imprescritibilidade significa que a pretensão de reparação de um dano ambiental não se perde com o tempo, podendo ser cobrada a qualquer momento.

  • (A) Incorreta: A pretensão de reparação de dano ambiental é imprescritível, não havendo prazo de cinco anos. Além disso, devido à natureza propter rem, o MP pode sim ajuizar a ação contra o atual proprietário (Joaquim).
  • (B) Incorreta: A pretensão de reparação de dano ambiental é imprescritível, não havendo prazo de cinco anos. O litisconsórcio passivo não é necessariamente obrigatório, mas a responsabilidade é solidária.
  • (C) Correta: A jurisprudência dos Tribunais Superiores (STF e STJ) é pacífica no sentido de que a pretensão de reparação civil do dano ambiental é imprescritível. Além disso, as obrigações ambientais possuem natureza propter rem, o que significa que elas aderem ao imóvel, independentemente de quem seja o proprietário. Assim, tanto o causador do dano (Alfredo) quanto o atual proprietário do imóvel (Joaquim) são responsáveis pela reparação, podendo o Ministério Público acionar um, outro ou ambos, em razão da responsabilidade solidária.
  • (D) Incorreta: Embora a pretensão de reparação de dano ambiental seja imprescritível, as obrigações ambientais não possuem natureza pessoal. Elas são de natureza propter rem, vinculando o imóvel e, consequentemente, seu atual proprietário.
  • (E) Incorreta: Embora a pretensão de reparação de dano ambiental seja imprescritível e as obrigações ambientais possuam natureza propter rem, não há um litisconsórcio passivo necessário. A responsabilidade é solidária, o que permite ao MP escolher contra quem ajuizar a ação, ou contra ambos, mas não o obriga a acionar ambos necessariamente. A armadilha aqui é confundir a possibilidade de acionar ambos com a obrigatoriedade de fazê-lo em litisconsórcio necessário.

Fonte: FGV AGE-MG Procurador do Estado 2022 Procurador do Estado (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.

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