Questão nº 1

Questão de Direito Constitucional · FGV AGE-MG Procurador do Estado 2022 (nº 1)

FGV2022Procurador do EstadoDireito Constitucional
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Alguns vereadores de oposição constataram que o Chefe do Poder Executivo do Município Alfa, situado no território do Estado Beta, deixou de prestar contas correspondentes aos dois últimos exercícios financeiros, o que dificultou sobremaneira a identificação da forma como foram implementadas certas políticas públicas e realizadas determinadas despesas. Irresignados com esse estado de coisas, consultaram um advogado a respeito da possibilidade de ser decretada a intervenção estadual no Município Alfa.

O advogado respondeu corretamente que a intervenção cogitada pelos vereadores

Resposta comentada

Gabarito Alternativa A

A intervenção é uma medida excepcional em que um ente federativo (como um Estado) assume temporariamente a gestão de outro (como um Município) para restabelecer a ordem, a legalidade ou a solvência financeira, em situações graves e específicas previstas na Constituição.

A) Correta: A Constituição Federal (Art. 35, II) prevê expressamente a intervenção estadual em Município que "não prestar contas devidas, na forma da lei". Para este caso específico (Art. 35, I, II e III), a Constituição não exige requisição do Tribunal de Justiça ou do Tribunal de Contas; o Governador do Estado tem a prerrogativa de decretar a intervenção. O decreto, uma vez editado, deve ser submetido à apreciação da Assembleia Legislativa no prazo de 24 horas (Art. 36, § 1º).
B) Incorreta: A Constituição Federal não exige requisição do Tribunal de Contas para a intervenção por falta de prestação de contas (Art. 35, II). Além disso, a decretação pelo Governador não é obrigatória, mas uma faculdade, e a Assembleia Legislativa "aprecia" (analisa e pode aprovar ou rejeitar), não apenas "suspende".
C) Incorreta: A exigência de provimento de representação interventiva pelo Tribunal de Justiça (Art. 36, IV) aplica-se apenas à hipótese do Art. 35, IV da CF (observância de princípios sensíveis, execução de lei, ordem ou decisão judicial), e não à falta de prestação de contas (Art. 35, II).
D) Incorreta: Assim como na alternativa C, a exigência de provimento de representação interventiva pelo Tribunal de Justiça não se aplica ao caso de falta de prestação de contas. Além disso, a aprovação da Assembleia Legislativa é posterior à decretação, e não prévia (Art. 36, § 1º).
E) Incorreta: A ausência de prestação de contas é uma das hipóteses expressas de cabimento da intervenção estadual em Município, conforme o Art. 35, II da Constituição Federal. A responsabilização pessoal do gestor é uma consequência possível, mas não exclui a intervenção.

Fonte: FGV AGE-MG Procurador do Estado 2022 Procurador do Estado (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.

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