Questão nº 93

Questão de Direito Ambiental · FGV AGE-MG Procurador do Estado 2022 (nº 93)

FGV2022Procurador do EstadoDireito Ambiental
Gabarito: Cver comentário ↓

A sociedade empresária Delta obteve licença ambiental junto ao órgão público competente do ente federativo Beta para instalação e operação de um posto de combustível.
Após o início da operação do posto, o cidadão João ajuizou ação popular na defesa do meio ambiente, alegando e comprovando, de forma inequívoca, que, durante a fase de instalação do empreendimento, a sociedade empresária Delta promoveu a supressão vegetal de uma área de 10 hectares em área ambientalmente protegida de Mata Atlântica, sem qualquer tipo de posterior restauração florestal ou compensação ambiental.
O empreendedor Delta se defendeu alegando que obteve as licenças ambientais necessárias e que foi fiscalizado pelo órgão ambiental na fase de construção do posto.
No caso em tela, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é no sentido de que a pretensão do autor popular

Resposta comentada

Gabarito Alternativa C

Em Direito Ambiental, a responsabilidade civil objetiva significa que quem causa dano ao meio ambiente é obrigado a repará-lo, independentemente de ter agido com culpa ou dolo. A teoria do risco integral leva isso ao extremo, pois não admite praticamente nenhuma causa para excluir essa responsabilidade, como culpa de terceiros ou caso fortuito.

  • A) Incorreta: A teoria do risco administrativo é aplicada à responsabilidade do Estado, não do empreendedor privado, e admite causas excludentes de responsabilidade.
  • B) Incorreta: A responsabilidade civil ambiental no Brasil é objetiva, não subjetiva (que exige prova de culpa). A teoria do risco administrativo também não se aplica ao empreendedor privado.
  • C) Correta: A jurisprudência do STJ aplica a responsabilidade civil objetiva com base na teoria do risco integral para danos ambientais. Isso significa que o empreendedor responde pelo dano independentemente de culpa e não há excludentes de responsabilidade, como a obtenção de licenças ou a fiscalização, que não legitimam atos ilegais ou omissões que causem dano. O princípio do poluidor-pagador impõe ao causador do dano o dever de repará-lo integralmente.
  • D) Incorreta: Esta é a armadilha. Embora acerte ao mencionar a responsabilidade civil objetiva e a teoria do risco integral, erra ao afirmar que a licença e a fiscalização rompem o nexo de causalidade ou configuram fato de terceiro. A licença ambiental não é um salvo-conduto para cometer ilegalidades ou causar danos. Se o empreendedor agiu fora dos termos da licença (como suprimir vegetação sem autorização específica), ele é o responsável direto, e a falha na fiscalização do órgão público não o exime.
  • E) Incorreta: A responsabilidade civil ambiental é objetiva, não subjetiva. A teoria do risco administrativo não se aplica ao empreendedor privado. A alegação de rompimento do nexo de causalidade pela licença e fiscalização também está incorreta.

Fonte: FGV AGE-MG Procurador do Estado 2022 Procurador do Estado (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.

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