Questão nº 83

Questão de Direito Penal · FGV AGE-MG Procurador do Estado 2022 (nº 83)

FGV2022Procurador do EstadoDireito Penal
Gabarito: Bver comentário ↓

João decide matar seu desafeto José. Sabendo que José possui uma casa de campo longe da cidade, isolada de outras casas, distante de tudo, João decide ir até o local para concretizar sua intenção assassina.
João chega ao local e, acreditando que seu desafeto José estava dormindo em casa, projeta seu carro em alta velocidade na direção do quarto de José, com a intenção de causar sua morte.
João fica gravemente ferido, deixando o local e sendo atendido no hospital, onde confessa sua conduta afirmando que matara José. Contudo, José havia saído cedo de casa para correr pelo campo e, ao retornar, vê sua casa parcialmente destruída.
Assinale a opção que indica a responsabilidade penal de João.

Resposta comentada

Gabarito Alternativa B

Crime impossível acontece quando o crime não pode ser concretizado de jeito nenhum, seja porque o meio usado é totalmente ineficaz (como tentar matar alguém com um pó de arroz), seja porque o objeto (a pessoa ou coisa que seria a vítima) é absolutamente impróprio ou inexistente no local (como atirar em um cadáver pensando que está vivo, ou atirar onde a vítima não está). Nesses casos, a lei entende que não há perigo real e, portanto, não há punição.

  • (A) Incorreta: Não é tentativa de homicídio porque, para que haja tentativa punível, o crime precisa ser possível de se consumar. No caso, José não estava em casa, tornando o objeto (a vítima) absolutamente impróprio/inexistente no local da ação. Não se pode matar quem não está lá.
  • (B) Correta: Trata-se de crime impossível por impropriedade absoluta do objeto. Como José não estava na casa no momento da ação, era absolutamente impossível que João o matasse. Conforme o Art. 17 do Código Penal, "Não se pune a tentativa quando, por ineficácia absoluta do meio ou por impropriedade absoluta do objeto, é impossível consumar-se o crime." No cenário, a ausência de José torna o objeto do crime (a vida de José) absolutamente impróprio no local e momento da ação.
  • (C) Incorreta: Embora a casa tenha sido danificada, a intenção (dolo) de João era matar José, não danificar a propriedade. O crime de dano exige o dolo específico de danificar. A destruição da casa foi um meio para tentar alcançar o homicídio, não o objetivo principal de sua conduta criminosa.
  • (D) Incorreta: João feriu a si mesmo, não a José. Não há indicação de que ele tenha causado lesões corporais em José.
  • (E) Incorreta: Se não é sequer tentativa de homicídio (conforme explicado em A), também não pode ser tentativa de homicídio qualificado. A qualificação pressupõe a existência do crime base.

Fonte: FGV AGE-MG Procurador do Estado 2022 Procurador do Estado (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.

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