Questão nº 41
Questão de Direito Ambiental · FCC SEGEP-MA 2016 (nº 41)
O Estado do Maranhão ofertou à União uma área devoluta para a criação de um assentamento para fins de reforma agrária. O Ministério Público ajuizou ação civil pública visando à nulidade de tal ato porque, segundo a petição inicial, a área é necessária à proteção de ecossistemas naturais. Para que o pedido seja julgado improcedente, o Estado deverá alegar e provar a
- Aausência de previsão legal para o pedido, uma vez que as terras devolutas são bens públicos dominiais.
- Bausência de previsão legal para o pedido, uma vez que as terras devolutas são bens públicos de uso comum.
- Causência de previsão legal para o pedido, uma vez que as terras devolutas são bens públicos de uso especial.
- Dirrelevância da área para a proteção dos ecossistemas naturais. (alternativa correta)
- Ediscricionariedade da Administração pública na destinação das terras devolutas.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa D
O conceito-chave aqui é o conflito de interesses públicos entre a destinação de terras para a reforma agrária (função social da propriedade) e a proteção ambiental, ambos com base na Constituição Federal. Quando o Ministério Público alega que uma área é necessária para proteger ecossistemas, o Estado, para se defender, precisa provar que essa alegação não é verdadeira.
- (A) Incorreta: A natureza das terras devolutas como bens públicos dominiais (patrimoniais do Estado) não impede que o Ministério Público atue na defesa do meio ambiente, que possui previsão constitucional expressa (Art. 225 da CF/88). A ação do MP tem base legal.
- (B) Incorreta: Terras devolutas são bens públicos dominiais (ou dominicais), ou seja, pertencem ao patrimônio do Estado, mas não estão afetadas a um uso público específico. Não são bens de uso comum do povo (como praças ou rios).
- (C) Incorreta: Terras devolutas são bens públicos dominiais. Bens de uso especial são aqueles destinados a um fim público específico, como edifícios de órgãos públicos ou escolas.
- (D) Correta: O Ministério Público alega que a área é necessária à proteção de ecossistemas naturais. Para que o pedido do MP seja julgado improcedente, o Estado precisa provar o contrário, ou seja, que a área em questão não possui relevância ambiental significativa que justifique a proteção, permitindo sua destinação para a reforma agrária. Isso ataca diretamente o fundamento da ação do MP.
- (E) Incorreta: Embora a Administração Pública tenha discricionariedade na destinação de seus bens, essa discricionariedade não é absoluta e deve respeitar os princípios constitucionais, incluindo a proteção ao meio ambiente. Se a área for comprovadamente essencial para ecossistemas, a discricionariedade cede lugar à primazia do interesse ambiental.
Fonte: FCC SEGEP-MA 2016 Procurador do Estado de Segunda Classe (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.