Questão nº 44

Questão de Direito Tributário · FCC Procurador do Estado Substituto 2024 (nº 44)

FCC2024Procurador do Estado SubstitutoDireito Tributário
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Devido a um volume absolutamente anormal de chuvas, geradas por eventos climáticos atípicos, diversas cidades do Estado enfrentaram grandes alagamentos e severos danos à sua infraestrutura. Neste cenário, o Governador pretende, entre as políticas públicas destinadas à reconstrução das cidades, estabelecer uma moratória para o ICMS, de acordo com a qual os contribuintes poderão deixar de recolher o imposto devido nos três meses subsequentes, podendo pagar o valor retido, sem multa ou juros de mora, em 24 parcelas mensais a partir do quarto mês. Nos termos do Código Tributário do Estado de Goiás (Lei Estadual n° 11.651/1991) e da jurisprudência vinculante do Supremo Tribunal Federal,

Resposta comentada

Gabarito Alternativa A

A moratória é um benefício que adia o prazo para o contribuinte pagar um tributo devido, suspendendo temporariamente a obrigação de pagamento sem multas ou juros, e a repartição de receitas tributárias é a divisão constitucional de impostos arrecadados entre os entes federativos.

  • (A) Correta: O diferimento ou a postergação do pagamento do ICMS não viola a regra de repartição de receitas tributárias prevista no art. 158, IV, da CF, desde que seja preservado o repasse da parcela pertencente aos Municípios quando do efetivo ingresso do tributo nos cofres públicos estaduais. A jurisprudência do STF entende que o direito dos Municípios à sua parcela do ICMS incide sobre o "produto da arrecadação" efetivamente recebido pelo Estado, e não sobre o valor devido antes da arrecadação.
  • (B) Incorreta: A moratória e a transação são modalidades de suspensão da exigibilidade do crédito tributário (Art. 151, I e VI, CTN), mas a remissão, a prescrição e a decadência são modalidades de extinção do crédito tributário (Art. 156, IV e V, CTN).
  • (C) Incorreta: Esta é a armadilha. A alternativa sugere que o Estado deveria repassar aos Municípios como se o tributo tivesse sido recolhido normalmente, o que não é o entendimento do STF. O repasse ocorre sobre o "produto da arrecadação" efetiva, e não sobre o que seria devido. Além disso, o art. 158, II, da CF/88, refere-se ao IPI, e não ao ICMS, cuja repartição está no art. 158, IV.
  • (D) Incorreta: A medida inclui um parcelamento, mas o parcelamento é uma modalidade de suspensão da exigibilidade do crédito tributário (Art. 151, VI, CTN), e não de extinção. A extinção ocorre somente com o pagamento integral do débito.
  • (E) Incorreta: A questão não fornece informações sobre limites de parcelamento no Código Tributário Estadual de Goiás, e a medida descrita pelo Governador (24 parcelas) é o objeto da análise, não uma premissa a ser contestada por uma regra não informada.

Fonte: FCC Procurador do Estado Substituto 2024 Procurador do Estado Substituto (Caderno Tipo 004). Reproduzida para fins de estudo.

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