Questão nº 2

Questão de Direito Constitucional · FCC Procurador do Estado Substituto 2024 (nº 2)

FCC2024Procurador do Estado SubstitutoDireito Constitucional
Gabarito: Ever comentário ↓

Lei de determinado Estado, de iniciativa do Governador respectivo, ao dispor sobre a reestruturação organizacional da administração pública estadual, autorizou o Poder Executivo a, mediante decreto, transformar cargos em comissão em funções de confiança, e vice-versa, para dar cumprimento aos objetivos da lei, desde que a medida não resulte em aumento de despesas. À luz da Constituição Federal e da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, referida previsão legal é

Resposta comentada

Gabarito Alternativa E

O conceito-chave aqui é o princípio da reserva legal combinado com os limites do poder regulamentar do Poder Executivo, especialmente no que tange à organização da administração pública e à distinção entre cargos em comissão e funções de confiança. Cargos em comissão são posições de livre nomeação e exoneração, que podem ser preenchidas por não-servidores, enquanto funções de confiança são exclusivas para servidores de carreira.

  • (A) Incorreta: Embora a exigência de lei e a ausência de aumento de despesa sejam condições importantes, a mera existência de uma lei não torna constitucional a delegação de qualquer poder ao Executivo. A transformação de cargos em comissão em funções de confiança (e vice-versa) não é um simples ato de regulamentação, pois altera a natureza e os requisitos constitucionais dos postos de trabalho.
  • (B) Incorreta: A matéria de organização da Administração, embora de iniciativa do Executivo, não permite que a lei delegue ao decreto a alteração da natureza de cargos e funções. A distinção entre cargo em comissão e função de confiança é constitucionalmente relevante, e sua transformação não é uma mera reorganização interna passível de decreto.
  • (C) Incorreta: As condições de "cargos e funções vagos" e "não implicação em criação ou extinção de órgãos" não sanam o vício fundamental. A inconstitucionalidade reside na própria delegação ao Executivo para que, via decreto, altere a natureza de posições que possuem requisitos constitucionais distintos.
  • (D) Incorreta: A inconstitucionalidade não decorre de violação à separação de poderes no sentido de o Legislativo invadir a competência do Executivo. Pelo contrário, a lei foi de iniciativa do Governador. O problema é que a própria lei autoriza o Executivo a fazer algo por decreto que extrapola os limites constitucionais do poder regulamentar, ou seja, a lei delega demais.
  • (E) Correta: A previsão legal é inconstitucional porque a transformação de cargos em comissão em funções de confiança (e vice-versa) extrapola os limites da mera reorganização interna da Administração. Essas duas categorias de posições possuem naturezas e formas de provimento distintas, com requisitos constitucionais específicos (art. 37, V, da CF). Alterar essa natureza por decreto, mesmo que autorizado por lei, viola o princípio da reserva legal qualificada e os limites do poder regulamentar do Executivo, pois tal alteração não é considerada matéria de detalhe ou de mera organização, mas sim de estrutura fundamental do regime de pessoal. O Supremo Tribunal Federal entende que tais transformações exigem lei específica, e não uma delegação genérica ao Executivo para atuar por decreto.

Fonte: FCC Procurador do Estado Substituto 2024 Procurador do Estado Substituto (Caderno Tipo 004). Reproduzida para fins de estudo.

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