Questão nº 34

Questão de Direito Tributário · FCC PGE-AP 2018 (nº 34)

FCC2018Procurador do Estado de Classe IDireito Tributário
Gabarito: Bver comentário ↓

A "Indústria de Balanças Peso Pesado", cujos sócios são Carlos e Danilo, tem 5 estabelecimentos no Estado, sendo uma matriz e quatro filiais. A empresa está em processo de recuperação judicial há três meses. Quando foi divulgada a notícia de que será promovida a alienação judicial de um de seus estabelecimentos, várias pessoas, naturais e jurídicas, se interessaram por adquiri-lo:

  1. Marcos, marido da prima de Carlos;
  2. a "Fábrica de Balanças Equilíbrio", sociedade empresarial concorrente;
  3. "Empresa de Ferragens Brasil", que é controlada pela "Indústria de Balanças Peso Pesado";
  4. Sebastião, rico empresário e marido da tia de Carlos.

Considerando que a "Indústria de Balanças Peso Pesado" vai continuar explorando sua atividade industrial por tempo indeterminado, mesmo depois da venda do referido estabelecimento, de acordo com o Código Tributário Nacional, caso a referida filial venha a ser adquirida

Resposta comentada

Gabarito Alternativa B

Quando uma empresa compra um estabelecimento de outra, a regra geral é que ela herda as dívidas tributárias da empresa vendedora (isso é chamado de sucessão tributária). No entanto, se a venda acontece por decisão de um juiz (uma alienação judicial) e a empresa vendedora está em recuperação judicial, o comprador não herda essas dívidas, para facilitar a venda e a reestruturação da empresa. Essa isenção, porém, não se aplica se o comprador for alguém muito próximo da empresa vendedora ou de seus sócios (como um sócio, parente ou empresa do mesmo grupo), conforme o Art. 133, §1º e §2º do CTN.

(A) Incorreta: Marcos, como marido da prima de Carlos (sócio), é parente por afinidade em grau que se enquadra na exceção do Art. 133, §2º, II, do CTN. Portanto, a regra de não sucessão para alienações judiciais não se aplica a ele, e ele responderia pelos tributos. Contudo, como a empresa alienante continuará suas atividades, a responsabilidade de Marcos seria subsidiária (Art. 133, II), e não integral, tornando a alternativa incorreta. A armadilha aqui é identificar corretamente que ele não está isento, mas errar o tipo de responsabilidade.
(B) Correta: A "Fábrica de Balanças Equilíbrio" é uma sociedade empresarial concorrente, não se enquadrando em nenhuma das categorias de adquirentes listadas no Art. 133, §2º, do CTN (sócio, parente, controlada, etc.). Assim, a ela se aplica a regra de não sucessão tributária prevista no Art. 133, §1º, II, para alienações judiciais em processo de recuperação judicial. Portanto, ela não responderá pelos tributos.
(C) Incorreta: A "Empresa de Ferragens Brasil" é controlada pela "Indústria de Balanças Peso Pesado", enquadrando-se na exceção do Art. 133, §2º, I, do CTN. Isso significa que a regra de não sucessão para alienações judiciais não se aplica a ela, e ela responderia pelos tributos. No entanto, como a empresa alienante continuará suas atividades, a responsabilidade seria subsidiária (Art. 133, II), e não integral, tornando a alternativa incorreta.
(D) Incorreta: Sebastião, como marido da tia de Carlos (sócio), é parente por afinidade em grau que se enquadra na exceção do Art. 133, §2º, II, do CTN. Portanto, a regra de não sucessão para alienações judiciais não se aplica a ele, e ele responderia pelos tributos. A alternativa afirma que ele não responderá, o que está incorreto.
(E) Incorreta: A "Empresa de Ferragens Brasil" é controlada pela "Indústria de Balanças Peso Pesado", enquadrando-se na exceção do Art. 133, §2º, I, do CTN. Isso significa que a regra de não sucessão para alienações judiciais não se aplica a ela, e ela responderia pelos tributos. A alternativa afirma que ela não responderá, o que está incorreto.

Fonte: FCC PGE-AP 2018 Procurador do Estado de Classe I (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.

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