Questão nº 26

Questão de Direito Administrativo · FCC PGE-AM 2022 Procurador (nº 26)

FCC2022Procurador do Estado da 3ª ClasseDireito Administrativo
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cessora da atual Polícia Militar. Nesse episódio, consta que os amotinados foram severamente torturados e tiveram seus corpos sepultados em vala comum, ainda não revelada.

Requerendo o acesso à documentação junto ao arquivo público estadual, o historiador recebeu uma negativa formal de acesso, com as seguintes justificativas:

− Trata-se de documentação relativa a questões que afetam a segurança do Estado, classificada como ultrassecreta.
− Há dados pessoais dos insurretos que devem ser preservados pelo período legal, devendo ser assegurada a privacidade dos titulares e respectivas famílias.

Em relação às justificativas apresentadas,

Resposta comentada

Gabarito Alternativa A

A Lei de Acesso à Informação (LAI) estabelece que o acesso a documentos públicos é a regra, mas prevê exceções para proteger a segurança do Estado e a privacidade de dados pessoais; contudo, existe uma exceção fundamental a essas exceções: informações sobre violações de direitos humanos praticadas por agentes públicos NÃO PODEM SER RESTRINGIDAS sob nenhuma hipótese.

  • (A) Correta: Ambas as justificativas são inválidas porque, conforme o Art. 21 da Lei nº 12.527/2011 (LAI), documentos que revelem condutas de violação de direitos humanos praticadas por agentes públicos não podem ser objeto de restrição de acesso, prevalecendo o direito à informação sobre quaisquer outras classificações de sigilo ou proteção de dados pessoais.
  • (B) Incorreta: A justificativa da segurança do Estado é inválida neste caso específico. Embora informações de segurança possam ser classificadas, o Art. 21 da LAI estabelece que essa classificação não se aplica a documentos que comprovem violações de direitos humanos por agentes públicos. A armadilha aqui é que a afirmação sobre a validade da classificação de segurança é verdadeira em um contexto geral, mas falsa quando há violação de direitos humanos, que é o ponto central da questão.
  • (C) Incorreta: A justificativa de proteção de dados pessoais dos insurretos é inválida, mas não pelo prazo de 50 anos (o prazo para acesso de terceiros a dados pessoais é de 100 anos, conforme Art. 31, §1º, I, da LAI). A invalidez decorre, na verdade, do Art. 21 da LAI, que sobrepõe a proteção de dados pessoais quando se trata de violações de direitos humanos por agentes públicos.
  • (D) Incorreta: Embora a ponderação de valores constitucionais seja um princípio geral do direito, o Art. 21 da LAI estabelece uma regra específica e inafastável para casos de violação de direitos humanos por agentes públicos, impedindo que o sigilo por segurança do Estado ou privacidade de dados pessoais seja invocado para restringir o acesso.
  • (E) Incorreta: A justificativa da segurança do Estado é inválida neste contexto, como explicado na alternativa A. Além disso, o prazo máximo de sigilo para informações ultrassecretas é de 25 anos, prorrogável uma única vez por igual período (total de 50 anos), e não 100 anos, conforme Art. 24, §1º, I, da LAI.

Fonte: FCC PGE-AM 2022 Procurador Procurador do Estado da 3ª Classe (Caderno Tipo 005). Reproduzida para fins de estudo.

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