Questão nº 8
Questão de Direito Constitucional · FCC PGE-AM 2022 Procurador (nº 8)
porária de excepcional interesse público. Não obstante o término da situação que ensejou a contratação, referido contrato sofreu sucessivas prorrogações, vindo o agente a permanecer por um total de cinco anos no serviço público. O servidor pretende obter a percepção de décimo terceiro salário e férias remuneradas acrescidas do terço constitucional, não recebidas durante a vigência do contrato. Considerados esses elementos à luz da Constituição Federal e da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, a contratação temporária, em sua origem, deu-se de forma
- Alegítima, sendo igualmente legítimas as prorrogações contratuais, desde que efetuadas em conformidade com o estabelecido na lei estadual, não fazendo o servidor jus a décimo terceiro salário e férias remuneradas acrescidas do terço constitucional, no entanto, pois as contratações temporárias para prestação de serviços de excepcional interesse público não geram vínculo do contratado com o poder público segundo as normas trabalhistas.
- Bilegítima, em razão da forma simplificada de seleção, ademais de o contrato ter sido sucessiva e ilegitimamente prorrogado, não fazendo o servidor jus a décimo terceiro salário e férias remuneradas acrescidas do terço constitucional, sob pena de burla à regra do concurso público e vínculo estatutário com a Administração.
- Clegítima, mas o contrato foi sucessiva e ilegitimamente prorrogado, fazendo o servidor jus a décimo terceiro salário e férias remuneradas acrescidas do terço constitucional, independentemente de previsão legal ou contratual a esse respeito. (alternativa correta)
- Dilegítima, em razão da forma simplificada de seleção, ademais de o contrato ter sido sucessiva e ilegitimamente prorrogado, fazendo o servidor, no entanto, jus a décimo terceiro salário e férias remuneradas acrescidas do terço constitucional, independentemente de previsão legal ou contratual a esse respeito.
- Elegítima, mas o contrato foi sucessiva e ilegitimamente prorrogado, embora o servidor só faça jus a décimo terceiro salário e férias remuneradas acrescidas do terço constitucional se houver previsão legal ou contratual a esse respeito.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa C
A contratação temporária para atender a necessidade de excepcional interesse público (Art. 37, IX, da CF/88) é uma exceção à regra do concurso público, permitindo que a Administração contrate pessoal por tempo determinado para situações transitórias e urgentes.
- (A) Incorreta: A alternativa erra ao afirmar que as prorrogações foram legítimas, pois o enunciado indica que a situação que ensejou a contratação terminou e, ainda assim, houve sucessivas prorrogações por cinco anos, desvirtuando o caráter temporário. Também erra ao negar os direitos, conforme a jurisprudência do STF para contratos nulos.
- (B) Incorreta: A contratação em sua origem foi legítima, pois se deu para atender a excepcional interesse público, o que autoriza a forma simplificada de seleção (Art. 37, IX, CF/88). A ilegitimidade se deu nas prorrogações. Além disso, nega os direitos, o que contraria a jurisprudência do STF.
- (C) Correta: A contratação em sua origem foi legítima, conforme o Art. 37, IX, da Constituição Federal. Contudo, as sucessivas prorrogações após o término da situação excepcional, por um período de cinco anos, desvirtuaram o contrato, tornando-o nulo ou ilegítimo em sua continuidade. Nesses casos de nulidade do contrato temporário por desvirtuamento, o Supremo Tribunal Federal (STF), no Tema 916 da Repercussão Geral (RE 765.320), firmou entendimento de que o servidor faz jus ao décimo terceiro salário e às férias remuneradas acrescidas do terço constitucional, independentemente de previsão legal ou contratual, por se tratarem de direitos sociais fundamentais devidos pela prestação de serviço e para evitar o enriquecimento sem causa da Administração Pública.
- (D) Incorreta: A alternativa erra ao afirmar que a contratação em sua origem foi ilegítima em razão da forma simplificada de seleção. A forma simplificada é justamente o que a Constituição autoriza para esse tipo de contratação (Art. 37, IX).
- (E) Incorreta: Embora acerte na análise da legitimidade original e da ilegitimidade das prorrogações, a alternativa erra ao condicionar o recebimento do décimo terceiro salário e das férias acrescidas do terço constitucional à existência de previsão legal ou contratual. A armadilha da banca reside aqui: para contratos temporários nulos (como é o caso da prorrogação ilegítima), o STF garante esses direitos independentemente de previsão, justamente para proteger o trabalhador e evitar o enriquecimento ilícito do Estado. Se o contrato fosse válido, a previsão seria necessária, mas a nulidade muda a regra.
Fonte: FCC PGE-AM 2022 Procurador Procurador do Estado da 3ª Classe (Caderno Tipo 005). Reproduzida para fins de estudo.