Questão nº 67
Questão de Direitos Humanos · FCC DPE-SP 2019 (nº 67)
FCC2019Defensor(a) Público(a)Direitos Humanos
Gabarito: Bver comentário ↓
O controle de convencionalidade deve
- Alevar em conta a jurisprudência contenciosa da Corte Interamericana de Direitos Humanos, desde que decorrente de casos nos quais o Estado tenha sido parte.
- Bser realizado ex officio como função e tarefa de qualquer autoridade pública, no marco de suas competências, e não apenas por juízes ou tribunais, que sejam competentes, independentes, imparciais e estabelecidos anteriormente por lei. (alternativa correta)
- Cter como objeto de confronto a normativa infraconstitucional dos Estados, ficando a compatibilidade das normas constitucionais para solução pelo controle de constitucionalidade.
- Dimplicar na supressão das normas confrontadas, constatada incompatibilidade com a Convenção Americana de Direitos Humanos.
- Eser realizado em nível internacional independentemente de que o Estado tenha a oportunidade de, internamente, declarar a violação e reparar o dano por seus próprios meios.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa B
O controle de convencionalidade é a análise da compatibilidade das leis e atos internos de um Estado com os tratados internacionais de direitos humanos dos quais ele é parte. É uma forma de garantir que o país cumpra suas obrigações internacionais.
- (A) Incorreta: A jurisprudência da Corte Interamericana de Direitos Humanos (Corte IDH) deve ser levada em conta por todos os Estados-partes, independentemente de terem sido parte nos casos específicos que geraram essa jurisprudência. A Corte IDH atua como intérprete final da Convenção Americana, e suas decisões têm um "efeito irradiante" ou "erga omnes" para a interpretação da Convenção. A armadilha da banca reside em limitar a aplicação da jurisprudência da Corte IDH apenas aos casos em que o Estado foi parte, o que não corresponde à doutrina e prática do Sistema Interamericano.
- (B) Correta: O controle de convencionalidade é uma obrigação de todas as autoridades públicas (judiciárias, legislativas, administrativas) de um Estado, dentro de suas respectivas competências, e não apenas dos juízes. Essa é a doutrina estabelecida pela Corte IDH (e.g., casos Almonacid Arellano e Gelman), que entende que todos os órgãos do Estado devem zelar pela conformidade das normas internas com a Convenção Americana.
- (C) Incorreta: O controle de convencionalidade pode ter como objeto tanto a normativa infraconstitucional quanto, em certas interpretações, a própria Constituição, quando esta entra em conflito com as obrigações internacionais de direitos humanos. Não se restringe apenas às normas infraconstitucionais.
- (D) Incorreta: A constatação de incompatibilidade não implica necessariamente na supressão da norma. Pode levar à sua inaplicabilidade ao caso concreto, à sua reinterpretação conforme a Convenção (interpretação conforme), ou, em casos mais graves, à sua declaração de inconvencionalidade e eventual supressão, mas não é uma consequência automática e única.
- (E) Incorreta: O controle de convencionalidade em nível internacional (pela Corte IDH, por exemplo) é subsidiário e complementar ao controle interno. O Estado deve ter a oportunidade de, primeiramente, declarar a violação e reparar o dano por seus próprios meios, esgotando-se as vias internas antes que a questão seja levada à instância internacional.
Fonte: FCC DPE-SP 2019 Defensor(a) Público(a) (Caderno Tipo 003). Reproduzida para fins de estudo.