Questão nº 64

Questão de Direito da Criança e do Adolescente · FCC DPE-SP 2019 (nº 64)

FCC2019Defensor(a) Público(a)Direito da Criança e do Adolescente
Gabarito: Cver comentário ↓

A Carlos, hoje com 18 anos, foi aplicada medida socioeducativa de semiliberdade. Em saída autorizada, após 4 meses de cumprimento regular, Carlos não retornou à unidade e procurou a Defensoria Pública para esclarecimentos. Está de acordo com previsão expressa do texto legal e/ou sua interpretação predominante nos tribunais superiores a seguinte orientação:

Resposta comentada

Gabarito Alternativa C

As medidas socioeducativas visam a reeducação e ressocialização do adolescente que cometeu um ato infracional, buscando sua integração social. A semiliberdade é uma dessas medidas, permitindo a realização de atividades externas (estudo, trabalho) com supervisão, mas exigindo o retorno à unidade para pernoite e atividades de apoio.

(A) Incorreta: Esta alternativa descreve uma resposta automática e punitiva, com tempo fixo de internação e extinção, o que contraria o caráter flexível e reeducativo das medidas socioeducativas, que devem ser reavaliadas constantemente quanto à sua necessidade. A Súmula 265 do STJ exige decisão fundamentada para a substituição da medida.
(B) Incorreta: Embora a maioridade (18 anos) não extinga automaticamente a medida (Art. 121, §5º do ECA), a ideia de que dispensa atividades de integração e apoio familiar ou simplifica o Plano Individual de Atendimento (PIA) para antecipar o desligamento não é uma previsão legal direta. O PIA é sempre individualizado e as atividades de apoio continuam sendo importantes enquanto a medida estiver em curso, até os 21 anos.
(C) Correta: Uma das possibilidades de extinção da medida socioeducativa é a cessação da necessidade de sua manutenção (Art. 121, §2º do ECA). Se Carlos conseguir demonstrar ao juiz que a finalidade reeducativa e ressocializadora da semiliberdade foi alcançada, ou seja, que ele já internalizou os valores e comportamentos esperados, o juiz pode declarar a extinção da medida, independentemente do tempo cumprido ou do incidente do não retorno.
(D) Incorreta: Não há previsão legal de um "requisito temporal mínimo" adicional para que se possa pedir a liberação após um descumprimento. A reavaliação da medida ocorre a cada seis meses (Art. 121, §2º do ECA), mas a necessidade de sua manutenção ou extinção pode ser analisada a qualquer tempo, mediante provocação e fundamentação.
(E) Incorreta: Embora o não retorno possa, de fato, levar à substituição por internação (Art. 122, III do ECA), a realização de parecer técnico e audiência para ouvir o jovem não é uma mera faculdade ("a seu critério") do juiz. São etapas essenciais do devido processo legal, contraditório e ampla defesa, que devem ser observadas antes de se agravar a medida, garantindo uma decisão justa e fundamentada (Súmula 265 do STJ). A armadilha aqui é a palavra "a seu critério", que minimiza a importância de garantias processuais.

Fonte: FCC DPE-SP 2019 Defensor(a) Público(a) (Caderno Tipo 003). Reproduzida para fins de estudo.

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