Questão nº 27

Questão de Direito Processual Penal · FCC DPE-SP 2019 (nº 27)

FCC2019Defensor(a) Público(a)Direito Processual Penal
Gabarito: Cver comentário ↓

Tício foi preso em flagrante delito, pela prática do crime de tráfico de entorpecentes. Na fase policial, ele usou do seu direito constitucional de permanecer em silêncio. Após ser denunciado, em seu interrogatório judicial, alegou ser apenas usuário, relatando que estava no local para adquirir entorpecentes. Já os Policiais Militares responsáveis pela prisão disseram que abordaram Tício porque ele estava em atitude suspeita, mas esclareceram não terem visto qualquer ato de mercancia nem qualquer pessoa próxima a ele. Afirmaram, ainda, que ficaram com dúvidas sobre a prática do crime de tráfico, pela pequena quantidade de droga apreendida, porém, tendo em vista que Tício teria lhes confessado informalmente que estava traficando no local, tiveram certeza sobre a sua responsabilidade penal, o que não foi relatado nos autos. Diante disso, o Magistrado que julgou a causa condenou Tício, pela prática do crime de Tráfico de Entorpecentes, à pena de 1 (um) ano e 8 (oito) meses de reclusão, a ser cumprida inicialmente em regime fechado, em razão da gravidade da conduta. A condenação proferida está

Resposta comentada

Gabarito Alternativa C

A condenação criminal exige provas produzidas em juízo, sob o crivo do contraditório e da ampla defesa, não bastando apenas elementos informativos colhidos no inquérito policial.

(A) Incorreta: A condenação por tráfico não exige necessariamente testemunhas presenciais da comercialização; outras provas (circunstanciais, laudos, depoimentos policiais corroborados por fatos objetivos) podem fundamentá-la.
(B) Incorreta: Embora a gravidade abstrata da conduta não justifique, por si só, o regime fechado (Súmulas 440 do STJ e 718/719 do STF), a questão principal é a validade da condenação em si, não apenas o regime.
(C) Correta: A confissão informal, não documentada nos autos e negada pelo réu em juízo, não possui valor probatório para embasar uma condenação. Para ter validade, a confissão (mesmo que informalmente obtida) deveria ter sido formalmente introduzida nos autos e, idealmente, corroborada por outras provas e confirmada em juízo, sob o contraditório. A mera menção pelos policiais de uma confissão informal não registrada e negada pelo réu não é prova judicial válida para a condenação.
(D) Incorreta: Esta é a armadilha. O artigo 155 do CPP realmente permite a condenação com base em elementos do inquérito desde que corroborados por provas produzidas em juízo. No entanto, a "confirmação" pelos policiais de uma confissão informal e não registrada, que foi negada pelo réu em juízo, não constitui a corroboracão exigida. A confissão informal, por si só, não é uma "prova produzida em juízo" e sua mera menção pelos policiais não a valida como tal, especialmente sem outros elementos de prova e diante da negativa do acusado.
(E) Incorreta: Embora o depoimento policial goze de presunção de veracidade, esta não é absoluta e deve ser analisada em conjunto com as demais provas. O ônus da prova para a condenação é da acusação, não cabendo à defesa provar a inocência ou a má-fé dos policiais.

Fonte: FCC DPE-SP 2019 Defensor(a) Público(a) (Caderno Tipo 003). Reproduzida para fins de estudo.

Continue estudando

Estudar é izi

Pratique milhares de questões como esta, de graça, com explicação e gamificação no Quizinho.

Estudar de graça no Quizinho