Questão nº 89

Questão de Defensoria Pública · FCC DPE-MA 2018 (nº 89)

FCC2018Defensor Público do EstadoDefensoria Pública
Gabarito: Ever comentário ↓

Na Comarca de Nova Gália tramita ação indenizatória ajuizada pelo Sr. Mévio, representado pela Defensoria Pública, em face do Sr. Tício. Narra-se na inicial que Tício, político e rico empresário da região, conduzindo seu veículo importado, atropelou Mévio, enquanto este atravessava a rua sobre a faixa de pedestre. Considerando os danos sofridos e a notória capacidade econômica do demandado, o pedido de indenização é de R$ 250.000,00. No curso do processo, constatou-se que Tício buscava frustrar sua citação pessoal, o que motivou sua citação por hora certa. Certificado o decurso do prazo para resposta, foi proferida decisão determinando a intimação de um dos Defensores Públicos atuantes na Comarca para que, se o caso, atuasse como curador especial. Considerando os fatos narrados, é correto afirmar:

Resposta comentada

Gabarito Alternativa E

A Defensoria Pública, ao atuar como curador especial, garante a defesa de quem não tem advogado, mesmo que a pessoa não seja financeiramente vulnerável ou que a outra parte no processo já seja assistida pela própria Defensoria. Isso é possível devido à independência funcional de seus membros, que lhes permite defender plenamente os interesses do curatelado, mesmo que isso signifique confrontar teses de outro Defensor Público.

  • (A) Incorreta: A atuação como curador especial não depende da hipossuficiência da parte, mas da necessidade de garantir a defesa de quem não constituiu advogado após citação por hora certa ou edital, sendo a Defensoria Pública designada para essa função por lei.
  • (B) Incorreta: Esta é a principal armadilha da banca. Embora os princípios da unidade e indivisibilidade sejam fundamentais, a atuação da Defensoria Pública como curador especial é uma atribuição sui generis que, por sua natureza, permite e até exige que Defensores distintos atuem em polos opostos no mesmo processo. A independência funcional de cada Defensor garante que ele defenderá os interesses do seu assistido (o curatelado) de forma plena, sem que isso configure um conflito institucional que impeça a atuação. A LC 80/94 não proíbe expressamente essa atuação em polos opostos quando um dos papéis é o de curador especial, e a jurisprudência e doutrina majoritárias a admitem.
  • (C) Incorreta: O Defensor Público, ao atuar como curador especial, tem o dever de exercer a defesa plena do curatelado, independentemente da probabilidade de sucesso da tese defensiva ou da condição econômica do réu. Recusar a atuação com base na "falta de argumentos" seria violar o dever de garantir o contraditório e a ampla defesa.
  • (D) Incorreta: A atuação do curador especial não se limita a uma "defesa formal" ou a evitar confrontar as teses da inicial. O curador tem o dever de exercer a defesa material e processual mais ampla possível em favor do curatelado, contestando fatos e direitos, se for o caso, para garantir o devido processo legal. Limitar sua atuação para "construir jurisprudência favorável aos hipossuficientes" desvirtuaria a finalidade da curadoria especial naquele caso concreto.
  • (E) Correta: A Defensoria Pública, por meio de um de seus membros, pode atuar como curador especial para Tício, mesmo ele sendo rico e mesmo que Mévio seja assistido por outro Defensor Público. Os princípios da unidade e indivisibilidade não impedem essa atuação, pois a independência funcional do Defensor garante a defesa plena do curatelado. O curador especial tem o dever de contestar os fatos e o direito, buscando a melhor defesa possível para o seu assistido, sem restrições baseadas na condição econômica ou na posição da parte contrária.

Fonte: FCC DPE-MA 2018 Defensor Público do Estado (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.

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