Questão nº 74

Questão de Direito da Criança e do Adolescente · FCC DPE-GO 2021 (nº 74)

FCC2021Defensor(a) Público(a)Direito da Criança e do Adolescente
Gabarito: Ever comentário ↓

Sérgio tem 16 anos, apresenta sinais e sintomas de transtorno mental e passa vários dias fora de casa. Não se reconhece doente, não aceita tratamento e nunca foi avaliado por médico. Sua mãe, desesperada, procura a Defensoria Pública para que Sérgio seja internado para tratamento. Seguindo o que dispõe a Lei nº 10.216/2001, o defensor:

Resposta comentada

Gabarito Alternativa E

A Lei nº 10.216/2001, conhecida como Lei da Reforma Psiquiátrica, estabelece que a internação psiquiátrica é um último recurso e deve ser feita de forma humanizada, priorizando o tratamento em liberdade. Para qualquer tipo de internação (voluntária, involuntária ou compulsória), é indispensável um laudo médico circunstanciado que justifique a necessidade do tratamento.

  • (A) Incorreta: A Lei nº 10.216/2001 não proíbe a internação psiquiátrica de menores de 18 anos; ela estabelece os critérios para tal, inclusive para a internação involuntária.
  • (B) Incorreta: O Ministério Público tem papel fiscalizador, mas a lei exige um laudo médico circunstanciado para qualquer internação, inclusive a compulsória, não podendo ser postulada "independentemente de laudo médico".
  • (C) Incorreta: Ajuizar uma ação "contra Sérgio" não é o procedimento legal para a internação involuntária. A internação involuntária é solicitada por familiar ou responsável legal com base em laudo médico, sem necessidade de autorização judicial prévia, embora haja comunicação posterior ao MP e à Justiça. A armadilha aqui é sugerir uma ação judicial como primeiro passo e "contra" o paciente, o que não se alinha com a internação involuntária.
  • (D) Incorreta: Sérgio não se reconhece doente e não aceita tratamento, portanto, ele não estaria no polo ativo de uma ação para viabilizar sua própria internação.
  • (E) Correta: A Lei nº 10.216/2001 (art. 6º) prevê a internação involuntária, que ocorre sem o consentimento do paciente e a pedido de terceiro (a mãe, neste caso), desde que haja um laudo médico circunstanciado atestando a necessidade. Não é exigida autorização judicial prévia, mas sim a comunicação ao Ministério Público e à Justiça em até 72 horas.

Fonte: FCC DPE-GO 2021 Defensor(a) Público(a) (Caderno Tipo 004). Reproduzida para fins de estudo.

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