Questão nº 42

Questão de Direito Civil · FCC DPE-ES 2023 (nº 42)

FCC2023Defensor(a) Público(a)Direito Civil
Gabarito: Ever comentário ↓

Cláudia comparece à unidade de atendimento da Defensoria Pública do Estado do Espírito Santo, afirmando que não consegue regularizar junto aos órgãos públicos a situação do imóvel, de valor superior a 30 salários mínimos, no qual reside com sua família, há mais de cinco anos, pois esses não aceitam a documentação que alega comprovar a compra e venda do imóvel. Analisando os documentos, a Defensora Pública responsável pelo atendimento verifica que Cláudia possui apenas um contrato particular de compromisso de compra e venda do imóvel datado de 2017, com cláusula de irretratabilidade, mas não houve registro junto ao Cartório de Registro de Imóveis. Diante desta documentação, Cláudia deve ser informada que

Resposta comentada

Gabarito Alternativa E

A transferência da propriedade (ou domínio) de um imóvel no Brasil só acontece com o registro do título translativo (como a escritura pública de compra e venda) no Cartório de Registro de Imóveis. Um contrato particular, mesmo que de compromisso de compra e venda, cria apenas uma obrigação entre as partes, mas não transfere a propriedade em si.

  • (A) Incorreta: A tradição é o modo de transferência da propriedade de bens móveis, não de imóveis. Para imóveis, a transferência se dá pelo registro. A posse é um atributo da propriedade, mas não é a propriedade em si.
  • (B) Incorreta: Um contrato particular, mesmo com cláusula de irretratabilidade, não transfere o domínio do imóvel. O registro no Cartório de Registro de Imóveis é essencial para a transferência da propriedade de bens imóveis.
  • (C) Incorreta: A afirmação de que a adjudicação compulsória exige o registro do compromisso de compra e venda no cartório de imóveis é uma armadilha. A Súmula 239 do STJ estabelece que "O direito à adjudicação compulsória não se condiciona ao registro do compromisso de compra e venda no cartório de imóveis." Portanto, a adjudicação compulsória é uma via possível mesmo sem o registro do contrato.
  • (D) Incorreta: A afirmação de que não há prazo suficiente para usucapião é incorreta. Cláudia reside no imóvel há "mais de cinco anos". Essa posse pode ser suficiente para algumas modalidades de usucapião, como a usucapião especial urbana (Art. 1.240 do Código Civil e Art. 183 da Constituição Federal), que exige 5 anos de posse ininterrupta e sem oposição, utilizando o imóvel para moradia, desde que não seja proprietária de outro imóvel.
  • (E) Correta: Ainda não houve a transferência do domínio do imóvel, pois o contrato particular não foi registrado. Cláudia pode buscar a adjudicação compulsória para obrigar o vendedor a outorgar a escritura definitiva, mesmo sem o registro prévio do compromisso de compra e venda (Súmula 239 do STJ). Alternativamente, ela pode pleitear a usucapião, já que possui o imóvel há mais de cinco anos para fins de moradia, o que pode preencher os requisitos de alguma modalidade de usucapião (como a usucapião especial urbana), caso os demais requisitos legais sejam atendidos.

Fonte: FCC DPE-ES 2023 Defensor(a) Público(a) (Caderno Tipo 003). Reproduzida para fins de estudo.

Continue estudando

Estudar é izi

Pratique milhares de questões como esta, de graça, com explicação e gamificação no Quizinho.

Estudar de graça no Quizinho