Questão nº 50
Questão de Direito Penal · FCC Defensoria Pública do Estado da Paraíba 2022 (nº 50)
FCC2022Defensor(a) Público(a)Direito Penal
Gabarito: Ever comentário ↓
De acordo com o entendimento do Superior Tribunal de Justiça,
- Aa configuração do crime de associação para o tráfico de drogas dispensa o dolo de se associar com estabilidade e permanência.
- Bé incabível a substituição da pena privativa de liberdade por pena restritiva de direitos no caso de tráfico de drogas, ainda que presentes os requisitos do Código Penal.
- Ca posse de drogas para uso pessoal (art. 28, Lei nº 11.343/2006) perdeu seu caráter criminoso diante da incompatibilidade com o princípio da lesividade, já que o uso de drogas não afeta bem jurídico de terceiros.
- Do princípio da insignificância se aplica ao tráfico de drogas, pois trata-se de crime de perigo concreto e, portanto, deve ser verificada concretamente a violação do bem jurídico tutelado pela normal penal.
- Ea posse de instrumentos destinados ao plantio de cannabis sativa para consumo pessoal não configura o crime previsto no art. 34 da Lei de Drogas (Lei nº 11.343/2006), que demanda instrumentos com a finalidade específica de tráfico de drogas. (alternativa correta)
Resposta comentada
Gabarito Alternativa E
A Lei de Drogas (Lei nº 11.343/06) estabelece crimes relacionados a entorpecentes, e o Superior Tribunal de Justiça (STJ) interpreta suas normas, definindo a aplicação e os limites de cada tipo penal.
- (A) Incorreta: O STJ entende que, para a configuração do crime de associação para o tráfico (art. 35), é indispensável a prova do dolo de se associar com estabilidade e permanência, não bastando a mera coautoria ocasional.
- (B) Incorreta: O STF, em entendimento seguido pelo STJ, declarou a inconstitucionalidade da vedação abstrata à substituição da pena privativa de liberdade por restritivas de direitos para o tráfico privilegiado (art. 33, § 4º), desde que preenchidos os requisitos do art. 44 do Código Penal. A armadilha aqui é que, embora a substituição seja vedada para o tráfico comum, a afirmação generaliza para "o caso de tráfico de drogas", incluindo o privilegiado, para o qual é cabível.
- (C) Incorreta: A posse de drogas para uso pessoal (art. 28) não perdeu seu caráter criminoso, mas sim foi despenalizada, com sanções de natureza não privativa de liberdade. O bem jurídico tutelado é a saúde pública, que é afetada.
- (D) Incorreta: O STJ e o STF possuem entendimento pacífico de que o princípio da insignificância não se aplica ao crime de tráfico de drogas, independentemente da quantidade, por ser um crime de perigo abstrato à saúde pública.
- (E) Correta: O STJ firmou o entendimento de que o crime do art. 34 da Lei de Drogas exige o dolo específico de que os instrumentos se destinem à produção de drogas para fins de tráfico. Se a finalidade for o consumo pessoal (autocultivo), a conduta não se enquadra neste tipo penal.
Fonte: FCC Defensoria Pública do Estado da Paraíba 2022 Defensor(a) Público(a) (Caderno Tipo 005). Reproduzida para fins de estudo.