Questão nº 73
Questão de Direito Processual Civil · FCC Defensoria Pública do Estado da Bahia 2021 (nº 73)
Levando em consideração as características de uma ação de declaratória da paternidade proposta por uma criança, devidamente representada por sua genitora, contra o suposto pai,
- Adeverá ser proposta no foro do domicílio da criança, que tem a competência territorial relativa para demandas de tal natureza.
- Bcaso o juiz venha a deferir a produção de prova pericial (exame de DNA), e o demandado se recusar a fornecer amostra de material genético, terá contra si a presunção absoluta de paternidade.
- Cem caso de revelia do suposto genitor, presumir-se-á a paternidade diante da ausência de impugnação do requerido.
- Dem regra, compete à criança, na condição de ocupante do polo ativo da demanda, o ônus da prova da paternidade. (alternativa correta)
- Eo laudo de exame de DNA que conclua pela incompatibilidade genética entre autor e demandado ensejará inexoravelmente a improcedência da pretensão veiculada pelo autor.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa D
O ônus da prova é a responsabilidade que cada parte tem de demonstrar ao juiz a veracidade dos fatos que alega para sustentar seu direito. Em ações de paternidade, isso significa quem deve provar a existência ou não do vínculo.
(A) Incorreta: Embora o foro do domicílio da criança seja frequentemente admitido em ações que envolvem interesses de menores (por analogia ao art. 53, I, "a", do CPC, que trata de alimentos, e pelo princípio do melhor interesse do menor), a competência territorial para esses casos é geralmente considerada absoluta ou funcional, e não meramente relativa. A competência relativa pode ser modificada ou prorrogada, o que não se coaduna com a proteção do menor.
(B) Incorreta: A recusa do suposto pai em realizar o exame de DNA gera, sim, uma presunção de paternidade, conforme o art. 2º-A, parágrafo único, da Lei nº 8.560/92. No entanto, essa presunção é relativa (juris tantum), ou seja, pode ser afastada por outras provas em contrário. O termo "presunção absoluta" é a armadilha da banca, pois uma presunção absoluta (juris et de jure) não admite prova em contrário.
(C) Incorreta: A revelia (ausência de contestação) em regra leva à presunção de veracidade dos fatos alegados pelo autor (art. 344 do CPC). Contudo, em ações de estado, como a de paternidade, a jurisprudência e a doutrina entendem que essa presunção não é absoluta e não dispensa o juiz de buscar outras provas, pois o direito à identidade é indisponível e de ordem pública. O art. 345, IV, do CPC, inclusive, prevê que a revelia não produz o efeito de presunção de veracidade se as alegações forem inverossímeis, o que pode ser aplicado em casos de paternidade sem outras provas.
(D) Correta: De acordo com a regra geral do ônus da prova estabelecida no art. 373, I, do Código de Processo Civil, o ônus de provar o fato constitutivo de seu direito incumbe ao autor. Na ação de investigação de paternidade, a criança (representada) é a autora e busca o reconhecimento de um vínculo, sendo, portanto, seu ônus provar a paternidade alegada.
(E) Incorreta: Embora o exame de DNA seja considerado a "rainha das provas" em ações de paternidade devido à sua alta precisão, o termo "inexoravelmente" é forte demais. Em casos extremamente raros e excepcionais, como em situações de fraude na coleta do material genético ou de fortíssima prova social-afetiva que pudesse gerar dúvidas sobre a validade do teste, a improcedência não seria automática. Contudo, na vasta maioria dos casos, um DNA negativo é decisivo para a improcedência. A palavra "inexoravelmente" impede que a alternativa seja totalmente correta.
Fonte: FCC Defensoria Pública do Estado da Bahia 2021 Defensor(a) Público(a) (Caderno Tipo 002). Reproduzida para fins de estudo.