Questão nº 71

Questão de Direito Penal · CEBRASPE TJ RR 2025 (nº 71)

CEBRASPE2025Outorga por RemoçãoDireito Penal
Gabarito: Dver comentário ↓

Considerando que um indivíduo tenha sido denunciado pela prática de crime previsto em lei penal incriminadora decorrente de conversão de medida provisória editada pelo presidente da República, assinale a opção correta com base nos princípios penais constitucionais.

Resposta comentada

Gabarito Alternativa D

Conceito-chave: Em matéria penal, só a lei em sentido estrito (aprovada pelo Congresso Nacional) pode definir crimes e cominar penas. Medida provisória é ato do Presidente com força de lei, mas não é lei — por isso, não pode criar tipos penais, sob pena de violar os princípios da legalidade e da reserva legal (art. 5º, XXXIX, CF).

  • (A) Incorreta: A CF não autoriza medida provisória em matéria penal; o art. 62, §1º, I, "b", veda expressamente MP sobre direito penal, inclusive o militar.
  • (B) Incorreta: A conversão posterior em lei não convalida o vício de origem — o crime e a pena precisam estar previstos em lei desde o momento da conduta (anterioridade).
  • (C) Incorreta: A MP tem força de lei, mas não é lei formal; a criação de tipos penais exige lei em sentido estrito, aprovada pelo Legislativo.
  • (D) Correta: A MP é inconstitucional porque invade matéria reservada à lei complementar ou ordinária do Congresso, violando a legalidade estrita e a reserva legal penal.
  • (E) Incorreta: Urgência e relevância são requisitos de admissibilidade da MP, mas não suprem a vedação constitucional expressa para matéria penal.

Armadilha da banca na (B): Ela tenta confundir com a ideia de que "depois virou lei, então valeu". Mas o princípio da anterioridade penal exige que a lei exista antes do fato; se a MP criou o crime e só depois foi convertida, quem praticou a conduta antes da conversão não pode ser punido — e a MP em si já nasceu inconstitucional.

Fonte: CEBRASPE TJ RR 2025 Outorga por Remoção. Reproduzida para fins de estudo.

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