Questão nº 57

Questão de Direito Civil · CEBRASPE TJ RO 2025 (nº 57)

CEBRASPE2025Outorga por RemoçãoDireito Civil
Gabarito: Cver comentário ↓

Segundo o entendimento do STJ, no caso de simulação do preço em compra e venda de imóvel sob locação, em que o valor declarado na escritura pública é inferior ao efetivamente ajustado entre as partes, o direito de preferência do locatário deve ser exercido com base no valor

Resposta comentada

Gabarito Alternativa C

O conceito-chave é o da segurança jurídica e da boa-fé objetiva: o locatário exerce seu direito de preferência com base no que está formalmente registrado (escritura pública), pois é isso que gera publicidade e legítima expectativa a terceiros. A simulação de preço é um vício entre vendedor e comprador, que não pode prejudicar o locatário de boa-fé, nem obrigá-lo a pagar um valor "por fora" que ele não tinha como conhecer oficialmente.

  • (A) Incorreta: A média entre o declarado e o real é um critério arbitrário, sem previsão legal, e não protege a confiança do locatário que só conhecia o valor registrado.
  • (B) Incorreta: A boa-fé do locatário não prevalece sobre a formalidade registral; pelo contrário, é a formalidade que protege a boa-fé, pois o locatário não participou do acordo paralelo de preço.
  • (C) Correta: O valor declarado na escritura pública é a referência para o direito de preferência, pois o registro é o ato que dá publicidade e segurança jurídica ao negócio, e o locatário não pode ser prejudicado por uma simulação que desconhecia.
  • (D) Incorreta: O preço de mercado é irrelevante aqui; o direito de preferência se dá nas mesmas condições do contrato de venda (que, para o locatário, são as condições públicas e registradas), e não em condições ideais de mercado.
  • (E) Incorreta: O pacto verbal "por fora" não pode ser oposto ao locatário, pois ele não tinha como saber desse acordo; aceitar isso violaria a boa-fé objetiva e a segurança jurídica do registro.

Armadilha da banca na alternativa (B): Ela usa o termo "boa-fé do locatário" para tentar convencer que o valor real (efetivamente pago) seria o mais justo. A pegadinha está em inverter o raciocínio: a boa-fé do locatário é protegida justamente pelo valor declarado, pois ele confiou na escritura pública. Se você caísse na tentação de achar que "o certo é o preço real", erraria — o STJ prioriza a aparência registral para não punir quem agiu de boa-fé com base no que era público.

Fonte: CEBRASPE TJ RO 2025 Outorga por Remoção. Reproduzida para fins de estudo.

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