Questão nº 60

Questão de Direito Civil · CEBRASPE PGE-ES 2025 (nº 60)

CEBRASPE2025Procurador do Estado de 1ª CategoriaDireito Civil
Gabarito: Cver comentário ↓

Um jovem de 17 anos de idade, emancipado voluntariamente pelos pais para que pudesse administrar um pequeno negócio, causou danos a terceiros em razão de acidente de trânsito.

Tendo essa situação hipotética como referência, assinale a opção correta com base na jurisprudência do STF acerca da emancipação voluntária e da responsabilidade civil.

Resposta comentada

Gabarito Alternativa C

Emancipação voluntária é quando os pais, por escritura pública, dão ao filho menor de 18 anos a capacidade civil plena (ele passa a poder praticar atos da vida civil sozinho). Mas atenção: capacidade civil ≠ exclusão da responsabilidade dos pais por atos ilícitos do filho. O STF entende que a emancipação voluntária não afasta a responsabilidade civil dos pais, pois ela é ato dos próprios pais e não pode ser usada para se eximirem do dever de reparar danos causados pelo filho.

  • (A) Incorreta: Não existe "renúncia" válida à responsabilidade civil por dano a terceiro; cláusula assim no instrumento de emancipação não tem eficácia perante a vítima.
  • (B) Incorreta: Emancipação não envolve tutor nem transfere responsabilidade a terceiro; os pais permanecem responsáveis.
  • (C) Correta: É o gabarito: a emancipação voluntária não exclui a responsabilidade civil dos pais, que continuam respondendo pelos atos ilícitos do filho menor — justamente porque a emancipação foi concedida por eles próprios.
  • (D) Incorreta: Nem a emancipação voluntária nem a legal extinguem automaticamente a responsabilidade dos pais; a voluntária, segundo o STF, não afasta essa responsabilidade.
  • (E) Incorreta: A emancipação dá capacidade civil ao menor, mas não o torna o único responsável, nem libera os pais do dever de reparar.

Pegadinha da banca (distrator mais tentador — letra E): o examinador explora a confusão entre capacidade civil e responsabilidade civil. O aluno pensa: "se o emancipado pode administrar negócio e responder por si, então os pais estão livres". Errado. O STF fixou que a emancipação voluntária é ato dos pais e não pode servir de blindagem para eles fugirem da reparação. Grave assim: emancipou por vontade própria → continua responsável pelos danos do filho.

Fonte: CEBRASPE PGE-ES 2025 Procurador do Estado de 1ª Categoria. Reproduzida para fins de estudo.

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