Questão nº 21
Questão de Direito Penal · CEBRASPE PCCE Delegado 2025 (nº 21)
Assinale a opção correta no que se refere à teoria da imputação objetiva no direito penal.
- AConsoante os fundamentos dessa teoria, a imputação objetiva é incompatível com crimes culposos.
- BNessa teoria, dispensa-se a relação de causalidade para a atribuição de responsabilidade penal.
- CNa imputação objetiva, exige-se apenas a comprovação de nexo causal para a responsabilização penal do agente.
- DA referida teoria fundamenta-se na criação ou no incremento de risco juridicamente proibido para a imputação penal. (alternativa correta)
- ESegundo essa teoria, é irrelevante o risco permitido na análise do fato típico.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa D
A teoria da imputação objetiva serve para filtrar o que é juridicamente relevante: não basta que o agente tenha causado o resultado (nexo causal); é preciso que ele tenha criado ou incrementado um risco juridicamente proibido e que esse risco se realize no resultado. Em outras palavras, o Direito Penal não pune qualquer causalidade, mas apenas a conduta que ultrapassa o risco permitido (como dirigir dentro da velocidade máxima, que é um risco aceito pela sociedade).
- (A) Incorreta: A teoria da imputação objetiva é plenamente compatível com crimes culposos; aliás, é neles que ela mais se aplica, pois ajuda a distinguir o risco permitido do proibido (ex.: atropelar alguém que surge de forma imprevisível não gera imputação, pois o risco era permitido).
- (B) Incorreta: A relação de causalidade é o primeiro degrau da imputação objetiva; sem ela, não há sequer análise de risco. A teoria não dispensa o nexo causal, apenas o complementa com o juízo de risco.
- (C) Incorreta: Essa é a pegadinha clássica: a banca mistura causalidade com imputação. Exigir apenas o nexo causal é o modelo causal-naturalista (teoria da equivalência dos antecedentes), que a imputação objetiva supera. O causal é necessário, mas insuficiente.
- (D) Correta: Este é o núcleo da teoria: a imputação objetiva exige que a conduta crie ou incremente um risco juridicamente proibido (ex.: atirar em alguém) e que esse risco se concretize no resultado (morte). Se o agente apenas cria um risco permitido (ex.: dirigir a 60 km/h em via de 80 km/h), não há imputação.
- (E) Incorreta: O risco permitido é um dos pilares da teoria: se o agente age dentro do risco permitido (ex.: cirurgião seguindo o protocolo), o fato é atípico, mesmo que cause dano. Logo, é totalmente relevante na análise do fato típico.
Fonte: CEBRASPE PCCE Delegado 2025 Delegado de Polícia Civil do Ceará. Reproduzida para fins de estudo.