Questão nº 55
Questão de Direito Civil · CEBRASPE AGU Advogado 2022 (nº 55)
CEBRASPE2022Advogado da UniãoDireito Civil
Gabarito: Bver comentário ↓
No que tange às especificidades dos contratos em espécie no Código Civil, assinale a opção correta.
- AÉ nula a venda de ascendente a descendente, salvo se houver expresso consentimento dos outros descendentes e do cônjuge do alienante.
- BNa locação de coisas por tempo determinado, esta cessará de pleno direito ao final do prazo estipulado, independentemente de notificação ou aviso. (alternativa correta)
- CO segurador será obrigado a pagar em pecúnia o prejuízo resultante do risco assumido, ainda que seja convencionada a reposição da coisa.
- DA doação a entidade futura prescreverá se, em dois anos, não estiver regularmente constituída.
- EO depositário não responderá pelos casos de força maior, independentemente de prova do ocorrido.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa B
Conceito-chave: Na locação por prazo determinado, o contrato tem uma data de fim certa. Por isso, a lei dispensa qualquer aviso prévio: quando o prazo acaba, a locação acaba junto, automaticamente. Isso é diferente da locação por prazo indeterminado, onde é preciso notificar para encerrar.
- (A) Incorreta: A venda de ascendente a descendente é anulável (não nula), e o consentimento dos outros descendentes e do cônjuge é necessário, mas a falta dele gera anulabilidade, não nulidade absoluta.
- (B) Correta: É exatamente o que diz o art. 574 do Código Civil: na locação por tempo determinado, ela cessa de pleno direito no fim do prazo, sem necessidade de notificação ou aviso prévio.
- (C) Incorreta: A regra é que o segurador pague em pecúnia, mas as partes podem convencionar a reposição da coisa (indenização em espécie), conforme o art. 776 do CC. A pegadinha aqui é inverter a obrigatoriedade: o pagamento em dinheiro é a regra, mas não é obrigatório se houver acordo diverso.
- (D) Incorreta: O prazo para a doação a entidade futura se tornar eficaz é de dois anos, mas se não constituída nesse prazo, a doação caduca (torna-se ineficaz), e não "prescreve" (que é a perda do direito de exigir algo). A banca troca os institutos para confundir.
- (E) Incorreta: O depositário não responde por força maior, mas precisa provar que o fato ocorreu e que ele não teve culpa. A pegadinha está no "independentemente de prova": a lei exige a prova do caso fortuito ou força maior para eximir o depositário (art. 642 do CC).
Fonte: CEBRASPE AGU Advogado 2022 Advogado da União. Reproduzida para fins de estudo.