Questão nº 91

Questão de Direito Financeiro · FGV TCE-GO 2024 (nº 91)

FGV2024Analista de Controle Externo - JurídicaDireito Financeiro
Gabarito: Cver comentário ↓

Em julgamento ocorrido no final do ano de 2022, em sede de controle concentrado de constitucionalidade, o STF analisou o denominado "orçamento secreto".
Com relação ao tema e considerando o julgamento do STF, assinale a afirmativa correta.

Resposta comentada

Gabarito Alternativa C

O "orçamento secreto" (formalmente conhecido como emendas de relator, ou RP9) era um tipo de destinação de verbas públicas onde o relator-geral do orçamento tinha grande poder para alocar recursos, mas sem que se soubesse quais parlamentares (deputados ou senadores) haviam realmente solicitado esses fundos, tornando a origem e o destino do dinheiro pouco transparentes.

(A) Incorreta: A principal crítica e o motivo da declaração de inconstitucionalidade pelo STF foram justamente a falta de publicidade e transparência do "orçamento secreto", que impedia o rastreamento das informações sobre a execução das emendas.
(B) Incorreta: O "orçamento secreto" era criticado exatamente por não vincular o autor da emenda ao beneficiário da despesa, dificultando a verificação da origem e destinação do dinheiro e, por isso, foi considerado inconstitucional pelo STF.
(C) Correta: O "orçamento secreto" funcionava ocultando os verdadeiros parlamentares que solicitavam as verbas, pois todas as despesas eram formalmente atribuídas ao relator-geral do orçamento, sob uma rubrica genérica (RP9), impedindo a identificação do proponente. Essa falta de transparência e pessoalidade foi o cerne da decisão do STF.
(D) Incorreta: Não havia uma obrigatoriedade de destinação de todas as despesas do "orçamento secreto" para saúde e assistência social. Embora ocultasse os valores individualizados, a premissa da destinação obrigatória é falsa.
(E) Incorreta: Embora as emendas parlamentares em geral visem a participação dos parlamentares no orçamento, o "orçamento secreto" na forma como era implementado foi considerado inconstitucional pelo STF devido à falta de transparência e critérios objetivos, não possuindo, portanto, "autorização constitucional" em sua versão problemática.

Fonte: FGV TCE-GO 2024 Analista de Controle Externo - Jurídica (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.

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