Questão nº 15
Questão de Direito Tributário · FGV SEFAZ-ES 2021 - Manhã (nº 15)
No Estado X, foi decretado pelo Governador o estado de calamidade pública referente às áreas fortemente afetadas por chuvas torrenciais. O Governador, por Medida Provisória (MP) estadual, também concedeu isenção de IPTU referente às áreas afetadas.
Diante desse cenário, assinale a afirmativa correta.
- ATal isenção é heterônoma, sendo vedada pela Constituição. (alternativa correta)
- BTal isenção não poderia ser concedida por medida provisória.
- CTal isenção poderia ser concedida por decreto dos prefeitos dos municípios afetados, mas não por ato do Governador.
- DPara que a isenção concedida por MP estadual tivesse validade seria necessário o prévio reconhecimento da calamidade pública pela Assembleia Legislativa.
- EPara que a isenção concedida por MP estadual tivesse validade seria necessário o prévio reconhecimento da calamidade pública pelas Câmaras de Vereadores dos municípios afetados.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa A
"Isenções heterônomas" (isenções fiscais heterônomas) são proibições constitucionais que impedem uma entidade federativa (como a União ou um Estado) de conceder isenções de impostos que pertencem a outra entidade (como Estados ou Municípios), garantindo a autonomia financeira de cada um.
- A) Correta: A isenção de IPTU (imposto municipal) concedida por um Governador (autoridade estadual) é um exemplo clássico de isenção heterônoma, expressamente vedada pela Constituição Federal (Art. 151, III), que proíbe os Estados de instituir isenções de tributos municipais.
- B) Incorreta: Embora a concessão de isenção por Medida Provisória (MP) seja um tema que exige lei específica (Art. 150, § 6º, CF/88) e a MP estadual tenha limitações, o principal problema aqui não é o instrumento (MP), mas sim a heteronomia da isenção, ou seja, um Estado concedendo isenção de imposto municipal. A armadilha da banca reside em focar no instrumento (MP) em vez da competência tributária.
- C) Incorreta: Prefeitos não podem conceder isenção de IPTU por decreto, pois a isenção tributária exige lei específica (Art. 150, § 6º, CF/88), aprovada pela Câmara de Vereadores. Além disso, a questão central é a atuação do Governador, que não pode isentar tributo municipal.
- D) Incorreta: O reconhecimento da calamidade pública pela Assembleia Legislativa (órgão estadual) não altera a inconstitucionalidade da isenção heterônoma. Mesmo que a calamidade fosse formalizada, o Estado não tem competência para isentar um imposto municipal.
- E) Incorreta: O reconhecimento da calamidade pública pelas Câmaras de Vereadores (órgãos municipais) também não validaria a isenção concedida pelo Governador. A competência para isentar o IPTU é municipal, e a ação do Governador, por ser heterônoma, permanece inconstitucional, independentemente do reconhecimento da calamidade por qualquer esfera.
Fonte: FGV SEFAZ-ES 2021 - Manhã Auditor Fiscal da Receita Estadual (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.