Questão nº 91

Questão de Direito Processual Penal · FGV MPRJ 2019 (nº 91)

FGV2019Analista do Ministério Público - Área ProcessualDireito Processual Penal
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Em matéria Penal, através das provas, as partes pretendem influenciar o convencimento do julgador, além de demonstrar a veracidade de determinado fato.
O Código de Processo Penal disciplina o tema, trazendo previsões gerais e regras próprias para as provas em espécie.
Sobre o tema, de acordo com as previsões do Código de Processo Penal, é correto afirmar que:

Resposta comentada

Gabarito Alternativa A

Conceito-chave: A prova pericial serve para esclarecer fatos que dependem de conhecimento técnico, mas o juiz não é obrigado a aceitar o laudo cegamente. Ele usa o livre convencimento motivado — ou seja, decide com liberdade, mas precisa explicar na sentença por que aceitou ou rejeitou aquela prova. As partes (acusação e defesa) podem participar da perícia apresentando quesitos (perguntas técnicas) e indicando assistente técnico (um especialista de confiança), mas isso não tira do juiz o poder final de julgamento.

  • (A) Correta: É exatamente o que diz o CPP: as partes podem apresentar quesitos e indicar assistente técnico, e o laudo pericial não vincula o juiz, que pode aceitá-lo ou rejeitá-lo, no todo ou em parte, desde que motive sua decisão.
  • (B) Incorreta: O CPP admite o interrogatório por videoconferência, inclusive com fundamento no risco de fuga do preso durante o deslocamento — a lei prevê essa hipótese, então a afirmação de que "não admite" é falsa.
  • (C) Incorreta: No Júri, as perguntas ao réu em plenário são feitas pelo juiz diretamente (e depois, se necessário, complementadas pelas partes e jurados) — a ordem é invertida em relação ao que a alternativa afirma.
  • (D) Incorreta: No sistema processual penal brasileiro, a oitiva de testemunhas segue o modelo de perguntas diretas do juiz (sistema presidencialista), e o cross examination (perguntas diretas das partes) só ocorre em situações excepcionais — o juiz pode e deve complementar as perguntas.
  • (E) Incorreta: Os elementos informativos do inquérito policial podem ser usados na sentença, desde que sirvam para corroborar (reforçar) provas produzidas em juízo — o que a lei proíbe é que sejam a única base da condenação, mas não que sejam mencionados.

Armadilha da banca na letra D: A pegadinha está em inverter o sistema. A banca tenta fazer você acreditar que o cross examination é a regra no Brasil, quando na verdade o juiz é o protagonista na inquirição de testemunhas. Quem cai na pegadinha confunde o sistema brasileiro com o sistema americano, onde as partes perguntam diretamente. No Brasil, o juiz pergunta primeiro e as partes complementam depois — e o magistrado pode, sim, fazer perguntas adicionais.

Fonte: FGV MPRJ 2019 Analista do Ministério Público - Área Processual (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.

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