Questão nº 69

Questão de Direito Administrativo · FGV MPRJ 2019 (nº 69)

FGV2019Analista do Ministério Público - Área ProcessualDireito Administrativo
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O Prefeito do Município Alfa editou decreto no qual informava que o Poder Público utilizaria, por seis meses, os serviços e as instalações do único hospital privado da região. A decisão decorreu do fato de o nosocômio ter informado que cessaria o atendimento dos pacientes do Sistema Único de Saúde, o que comprometeria o serviço de saúde no Município.
À luz da sistemática legal, a situação narrada caracteriza:

Resposta comentada

Gabarito Alternativa A

Requisição administrativa é quando o Estado usa, temporariamente, bens ou serviços particulares em situação de perigo público iminente (como risco à saúde coletiva), sem precisar de autorização judicial, mas com obrigação de indenizar depois se houver dano. É uma intervenção de urgência, não uma compra forçada.

  • (A) Correta: É exatamente a hipótese legal: uso temporário de hospital privado para garantir atendimento do SUS, em risco iminente à saúde; dispensa juiz e gera indenização posterior (art. 5º, XXV, CF).
  • (B) Incorreta: Ocupação temporária é outra figura (uso transitório de imóvel para obras públicas), mas aqui há perigo iminente e uso de serviços, o que caracteriza requisição; além disso, ocupação temporária também não exige autorização judicial prévia.
  • (C) Incorreta: Desapropriação é perda definitiva da propriedade com indenização prévia e justa; aqui o uso é temporário (6 meses), não há transferência de domínio.
  • (D) Incorreta: Servidão administrativa é um ônus permanente sobre o imóvel (ex.: passagem de cabos), não uso temporário de serviços; e não exige autorização judicial.
  • (E) Incorreta: Não é intervenção no domínio econômico (que regula mercado), e sim intervenção na propriedade por perigo público; desapropriação indireta seria esbulho sem processo, o que não ocorre aqui.

Armadilha da banca: o distrator mais tentador é a (B), pois "ocupação temporária" parece similar (uso por tempo determinado). Mas a banca quer que você perceba que a requisição é a única que se aplica a serviços (não só bens imóveis) e que dispensa qualquer autorização judicial, pois decorre de perigo público iminente — a ocupação temporária, na prática, é usada para obras, não para serviços de saúde.

Fonte: FGV MPRJ 2019 Analista do Ministério Público - Área Processual (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.

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