Questão nº 53
Questão de Direito Processual Penal · FGV MPGO Servidores 2022 (nº 53)
Magno foi acusado pela prática do crime de extorsão mediante sequestro qualificado, delito previsto no Art. 159, § 1º, CP e punido com pena de reclusão de doze a vinte anos. Por ocasião do oferecimento da inicial acusatória, o Ministério Público postulou a decretação da prisão preventiva do acusado. Após receber a denúncia, o magistrado atendeu ao pedido do Parquet e impôs a segregação cautelar, limitando-se a afirmar genericamente que adotava a manifestação ministerial, sem sequer transcrever nenhum de seus fundamentos ou apontar fatos e razões concretas para a decretação. Na hipótese é correto afirmar que
- Aa decisão que decretou a prisão preventiva é válida.
- Bhá nulidade absoluta em relação à decisão que decretou a prisão preventiva. (alternativa correta)
- Chá nulidade relativa em relação à decisão que decretou a prisão preventiva.
- Da decisão é inexistente por ausência de fundamentação.
- Ehá mera irregularidade em relação à decisão que decretou a prisão preventiva.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa B
Toda decisão judicial, especialmente aquelas que restringem a liberdade de uma pessoa, deve ser fundamentada, ou seja, o juiz precisa explicar de forma clara e específica os motivos e fatos concretos que justificam sua decisão, e não apenas adotar genericamente os argumentos de uma das partes.
- (A) Incorreta: A decisão não é válida porque a Constituição Federal (Art. 93, IX) e o Código de Processo Penal (Art. 315, § 1º) exigem que todas as decisões judiciais sejam fundamentadas, e a adoção genérica de manifestação ministerial sem transcrição ou razões concretas não cumpre esse requisito.
- (B) Correta: A ausência de fundamentação concreta e específica em uma decisão que decreta prisão preventiva constitui nulidade absoluta, pois viola preceitos constitucionais (Art. 93, IX, da CF) e legais (Art. 315, § 1º, do CPP), sendo um vício insanável que afeta a validade do ato desde sua origem.
- (C) Incorreta: Há nulidade absoluta, e não relativa. A nulidade relativa ocorre em vícios menos graves, que dependem de prova de prejuízo e podem ser convalidados se não forem alegados no momento oportuno. A ausência de fundamentação é um vício grave e insanável, que atinge a própria essência do devido processo legal e da garantia constitucional de motivação das decisões judiciais.
- (D) Incorreta: A decisão não é inexistente. Uma decisão inexistente seria aquela que não possui os elementos mínimos para ser considerada um ato jurídico (ex: proferida por quem não é juiz). A decisão, mesmo sem fundamentação adequada, foi proferida por um juiz, sendo um ato judicial, mas é nula por vício grave.
- (E) Incorreta: A ausência de fundamentação não é uma mera irregularidade. Irregularidades são vícios de menor gravidade que não afetam a validade do ato. A falta de motivação em uma decisão judicial, especialmente em matéria de restrição de liberdade, é um vício grave que acarreta a nulidade do ato.
Fonte: FGV MPGO Servidores 2022 Analista Jurídico (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.