Questão nº 32

Questão de Direito Administrativo · FGV MPGO Servidores 2022 (nº 32)

FGV2022Analista JurídicoDireito Administrativo
Gabarito: Cver comentário ↓

Em janeiro de 2020, José foi condenado a 12 anos de reclusão pela prática do crime de estupro de vulnerável e cumpria pena, em regime fechado, em um presídio do Estado Alfa, quando conseguiu fugir, através de um túnel subterrâneo, em janeiro de 2021. Oito meses depois, José se associou a outros delinquentes em organização criminosa e praticou latrocínio, que causou a morte da cidadã Maria.
Familiares de Maria ajuizaram ação indenizatória contra o Estado Alfa, alegando sua responsabilidade civil objetiva, eis que Maria foi morta por José, que ainda deveria estar preso, tendo o Estado Alfa sido omisso por não exercer a contento a vigilância do preso José, que estava originariamente sob a sua custódia.
No caso em tela, de acordo com a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, a responsabilidade civil objetiva do Estado Alfa por danos decorrentes do novo crime praticado por José, pessoa foragida do sistema prisional, que vitimou Maria

Resposta comentada

Gabarito Alternativa C

A responsabilidade civil do Estado é objetiva, ou seja, ele responde pelos danos causados por seus agentes, independentemente de dolo ou culpa, desde que haja um nexo causal direto e imediato entre a conduta (ação ou omissão) do Estado e o dano sofrido. No caso de fuga de preso e posterior crime, o Supremo Tribunal Federal exige que esse nexo causal seja direto e imediato para configurar a responsabilidade estatal.

  • (A) Incorreta: A causa de exclusão de caso fortuito ou força maior não é o fundamento principal para a não caracterização da responsabilidade do Estado neste cenário, de acordo com a jurisprudência do STF. A questão central é a ausência de nexo causal direto.
  • (B) Incorreta: Embora a responsabilidade civil do Estado seja objetiva (não exigindo prova de dolo ou culpa dos agentes para a indenização da vítima), a alternativa erra ao afirmar que a responsabilidade está caracterizada. A armadilha aqui é que o estudante pode focar apenas na objetividade da responsabilidade e esquecer o requisito fundamental do nexo causal direto, que é o ponto crucial da jurisprudência do STF para este tipo de caso.
  • (C) Correta: De acordo com o entendimento do Supremo Tribunal Federal (Tema 1.100 da Repercussão Geral, RE 1.321.034), a responsabilidade civil do Estado por danos decorrentes de crime praticado por foragido do sistema prisional não se configura quando não há um nexo causal direto e imediato entre a fuga e o novo delito. O lapso temporal de oito meses entre a fuga e o latrocínio rompe essa imediatidade, afastando a responsabilidade do Estado.
  • (D) Incorreta: A responsabilidade civil do Estado é objetiva (Art. 37, § 6º da CF), não sendo necessário provar dolo ou culpa dos agentes para que o Estado seja responsabilizado perante a vítima. Além disso, a responsabilidade não está caracterizada neste caso devido à ausência de nexo causal direto.
  • (E) Incorreta: A responsabilidade do Estado não está caracterizada neste caso. A ação de regresso é uma possibilidade interna do Estado contra seus agentes, mas só ocorreria se o Estado fosse primeiramente condenado a indenizar a vítima.

Fonte: FGV MPGO Servidores 2022 Analista Jurídico (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.

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