Questão nº 97

Questão de Ministério Público · FGV MP-GO 2022 (nº 97)

FGV2022Promotor de Justiça SubstitutoMinistério Público
Gabarito: Ever comentário ↓

O promotor de justiça vitalício José foi condenado em ação penal originária pelo Tribunal de Justiça do Estado Gama à pena de oito anos de reclusão e multa, bem como, com base no Art. 92, I, do Código Penal, à perda do cargo público.
Ao interpor recurso especial em face da decisão condenatória, a defesa técnica de José, no que tange à fundamentação para atacar a parte da decisão que condenou seu cliente à perda do cargo de promotor de justiça, deve observar que a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é no sentido de que:

Resposta comentada

Gabarito Alternativa E

A vitaliciedade é uma garantia constitucional dos membros do Ministério Público, significando que, após dois anos de exercício, eles só podem perder o cargo por decisão judicial definitiva, seguindo um procedimento específico que protege sua independência.

  • (A) Incorreta: A Constituição Federal estabelece a vitaliciedade, mas a perda do cargo, mesmo após condenação criminal, exige uma ação civil específica, e a autorização para essa ação é do Colégio de Procuradores de Justiça, não do Conselho Superior do Ministério Público, conforme a Lei Orgânica Nacional do MP.
  • (B) Incorreta: Embora a Constituição preveja a vitaliciedade, a jurisprudência do STJ entende que, mesmo após uma condenação penal, a perda do cargo de membro do MP vitalício requer uma ação civil específica para esse fim, e não diretamente pela ação penal, em respeito ao princípio da especialidade e à Lei Orgânica.
  • (C) Incorreta: A autorização para a ação de perda do cargo é do Colégio de Procuradores de Justiça, e não do Conselho Superior do Ministério Público. Além disso, a perda do cargo por condenação penal não é automática, exigindo uma ação civil específica.
  • (D) Incorreta: Esta alternativa está quase correta ao mencionar a necessidade de ação civil proposta pelo Procurador-Geral de Justiça com autorização do Colégio de Procuradores. No entanto, ela erra ao afirmar que é "vedado o manejo de ação por ato de improbidade administrativa para tal finalidade", pois a perda do cargo pode, sim, ser consequência de uma ação de improbidade.
  • (E) Correta: A Lei Orgânica Nacional do Ministério Público (Lei 8.625/1993), por ser lei especial, prevalece sobre o Código Penal. Assim, a perda do cargo de um membro vitalício do Ministério Público, mesmo após condenação criminal, não é automática, exigindo uma ação civil específica para esse fim, a ser proposta pelo Procurador-Geral de Justiça, com prévia autorização do Colégio de Procuradores de Justiça (Art. 38, § 2º, da Lei 8.625/93). Além disso, a perda do cargo também pode ocorrer em decorrência de ação civil pública por ato de improbidade administrativa, ajuizada por promotor de justiça, o que está em conformidade com a legislação e a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça.

Fonte: FGV MP-GO 2022 Promotor de Justiça Substituto (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.

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