Questão nº 31

Questão de Formação Humanística · FGV ENAM 2024.2 (nº 31)

FGV2024MagistraturaFormação Humanística
Gabarito: Dver comentário ↓

Camila, pessoa com deficiência visual, acaba de completar 7 anos e ingressará no ensino fundamental. Seus pais, ao iniciarem o processo de matrícula da filha em uma instituição regular privada de ensino fundamental, foram informados pela diretoria de que o valor da mensalidade sofreria acréscimo em razão das condutas e medidas de apoio que seriam tomadas de forma individualizada em relação à Camila para que "conseguisse desenvolver-se bem acadêmica e socialmente".
Diante da situação relatada, baseando-se no direito da antidiscriminação, em normas de proteção às pessoas com deficiência, na Constituição Federal de 1988 e na jurisprudência do STF, assinale a afirmativa correta.

Resposta comentada

Gabarito Alternativa D

A educação inclusiva garante que pessoas com deficiência tenham acesso ao ensino regular sem barreiras ou custos adicionais, sendo a cobrança extra por adaptações uma forma de discriminação proibida por lei.

(A) Incorreta: A cobrança de valores adicionais em razão da deficiência é expressamente proibida pela Lei Brasileira de Inclusão (LBI), caracterizando-se como discriminação, mesmo que a matrícula não seja negada diretamente.
(B) Incorreta: A legislação brasileira, incluindo a Constituição Federal e a LBI, prioriza a inclusão de pessoas com deficiência no ensino regular, e não a segregação em instituições especializadas.
(C) Incorreta: Armadilha da banca! A LBI (Lei nº 13.146/2015, Art. 28, § 1º) proíbe categoricamente a cobrança de valores adicionais de qualquer natureza em mensalidades, anuidades e matrículas de instituições de ensino privadas em razão da deficiência do estudante, independentemente da justificativa para o uso desses recursos. O STF confirmou a constitucionalidade desse dispositivo.
(D) Correta: Camila sofreu discriminação de natureza institucional, pois a prática de cobrar um valor adicional, embora não seja uma negativa explícita, cria uma barreira financeira que pode levar à exclusão, sendo uma forma de discriminação indireta por parte da instituição privada, violando o direito à educação inclusiva.
(E) Incorreta: O ato da diretora configura discriminação e violação de direitos, gerando sim a possibilidade de ação judicial (obrigação de fazer para matrícula sem custo adicional e indenização por danos morais). A LBI e a CF/88 impõem deveres de inclusão tanto ao Poder Público quanto às instituições privadas de ensino.

Fonte: FGV ENAM 2024.2 Magistratura (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.

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