Questão nº 62
Questão de Estatística · FGV DPGE-RJ 2019 (nº 62)
Sobre as principais propriedades dos estimadores pontuais, para pequenas e grandes amostras, é correto afirmar que:
- Ase é tendencioso, só poderá ser mais eficiente do que caso ;
- Buma condição necessária para que um estimador de seja assintoticamente eficiente é que ele seja não tendencioso, também em termos assintóticos;
- Cse , então ;
- Dse é a densidade conjunta da amostra e é a função densidade do estimador , então é um estimador suficiente de ; (alternativa correta)
- Eum estimador que seja assintoticamente tendencioso não poderá ser consistente.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa D
Conceito-chave: Um estimador pontual é uma “fórmula” que usa os dados para “chutar” um valor de . As propriedades principais são: não tendenciosidade (o chute não é sistematicamente alto ou baixo), eficiência (menor variância entre os não tendenciosos), consistência (com muitas amostras, o chute se aproxima do valor real) e suficiência (o estimador resume toda a informação relevante da amostra sobre ). A pegadinha da questão está em misturar essas definições com fórmulas malucas.
- (A) Incorreta: A eficiência relativa entre um estimador tendencioso e um não tendencioso se compara pelo Erro Quadrático Médio (EQM), onde . Para ser mais eficiente, basta que , e como é não tendencioso, . A condição correta seria , mas a alternativa diz “só poderá ser mais eficiente caso...”, o que é falso, pois essa é uma condição suficiente, não necessária (e a comparação correta é com o EQM do outro, não apenas com a variância).
- (B) Incorreta: Eficiência assintótica (quando ) exige que o estimador seja assintoticamente não tendencioso (viés tende a zero) e que sua variância atinja o limite inferior de Cramér-Rao. Mas a alternativa diz “condição necessária é que ele seja não tendencioso, também em termos assintóticos” — isso é verdade, mas a alternativa está incompleta e mal formulada, pois não é a única condição (precisa também da variância mínima). A banca considera incorreta porque a redação sugere que basta ser não tendencioso, o que é falso.
- (C) Incorreta: Se , isso não implica que a probabilidade não tenda a zero. Pela desigualdade de Chebyshev, . Se o EQM vai a infinito, o limite superior da probabilidade de erro vai a infinito, mas isso não diz nada sobre o limite da probabilidade em si — ela pode convergir para 0, 1 ou qualquer valor entre 0 e 1. A alternativa afirma que “não pode ser zero”, o que é uma conclusão inválida.
- (D) Correta: Pelo Teorema da Fatoração de Neyman-Fisher, um estimador é suficiente para se a densidade conjunta da amostra puder ser fatorada como , onde depende dos dados apenas através de e não depende de . Na alternativa, e (que é uma forma estranha de escrever ). A fatoração mostra que a densidade conjunta depende de apenas multiplicativamente, e o estimador (que é função dos dados) carrega toda a informação sobre , pois a parte que não depende de é . Assim, é suficiente.
- (E) Incorreta: Um estimador pode ser assintoticamente tendencioso (viés tende a um valor constante não nulo) e ainda ser consistente, desde que esse viés tenda a zero mais rápido que o crescimento da variância. Na verdade, a definição de consistência exige que , o que pode ocorrer mesmo com viés assintótico pequeno, se a variância também tender a zero. O que é proibido é viés que não desaparece no limite. A alternativa afirma categoricamente que “não poderá ser consistente”, o que é falso.
Dica para não cair na pegadinha: A banca adora inverter definições. Na letra (A), ela troca “condição suficiente” por “condição necessária”. Na (C), ela usa o fato de o EQM explodir para concluir algo sobre a probabilidade, o que é um salto lógico. Na (E), ela confunde “tendencioso” com “inconsistente”. Sempre verifique se a afirmação é exatamente a definição formal, sem “só”, “necessário” ou “não poderá” — essas palavras são os gatilhos da pegadinha.
Fonte: FGV DPGE-RJ 2019 Técnico Superior Especializado em Estatística (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.