Questão nº 80

Questão de Direitos da Mulher · FGV DP-MS 2022 (nº 80)

FGV2022Defensor Público SubstitutoDireitos da Mulher
Gabarito: Dver comentário ↓

O inciso XXXV do Art. 5º da Constituição da República de 1988 assegura a inafastabilidade da jurisdição ou do acesso à justiça, definindo que a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito. O acesso à justiça pode ser compreendido como o acesso de fato e de direito a instâncias e recursos judiciais de proteção frente a atos de violência em conformidade com os parâmetros internacionais de direitos humanos. Todavia, o relatório da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH/OEA) sobre acesso à justiça para mulheres vítimas de violência nas Américas aponta que essas mulheres não têm obtido acesso a recursos judiciais idôneos e efetivos após a realização da denúncia, permanecendo a grande maioria dos feitos em impunidade e resultando em direitos desprotegidos.
A partir da legislação brasileira e tratados internacionais indicados no edital, é correto afirmar que:

Resposta comentada

Gabarito Alternativa D

Mesmo com a garantia constitucional de acesso à justiça, mulheres vítimas de violência muitas vezes não conseguem que seus casos sejam efetivamente julgados e punidos, o que exige do Estado a criação de mecanismos legais mais eficazes e protetivos.

  • (A) Incorreta: A reparação à vítima não deve ocorrer em prejuízo de outras ações legais, mas sim complementá-las ou ser independente delas, garantindo a plena justiça.
  • (B) Incorreta: Embora as Regras de Bangkok tratem da vulnerabilidade de mulheres presas, a questão central do enunciado é o acesso à justiça para vítimas de violência após a denúncia, e não especificamente o ingresso de mulheres e crianças em prisões. A formulação sobre a língua também é imprecisa, pois o direito é a um intérprete, se necessário, e não necessariamente assistência jurídica na língua materna se esta não for a do país.
  • (C) Incorreta: Reconhecer capacidade jurídica idêntica, mas com "oportunidades distintas", contradiz o princípio da igualdade e não discriminação, fundamental nos direitos humanos das mulheres.
  • (D) Correta: Esta alternativa aborda diretamente a falha apontada no relatório da CIDH/OEA, exigindo do Estado procedimentos jurídicos que garantam a efetividade do acesso à justiça, medidas de proteção e julgamento oportuno para mulheres vítimas de violência, conforme a Convenção de Belém do Pará (Art. 7º).

Fonte: FGV DP-MS 2022 Defensor Público Substituto (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.

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