Questão nº 51

Questão de Direito Processual Civil · FCC TRT6 2018 (nº 51)

FCC2018Analista Judiciário – Área JudiciáriaDireito Processual Civil
Gabarito: Dver comentário ↓

Considere as afirmações a seguir, que concernem à produção das provas processuais.

I. Os fatos afirmados por uma parte e confessados pela parte contrária, bem como os notórios, necessitam ser provados nos autos.

II. O juiz poderá admitir a utilização de prova produzida em outro processo, atribuindo-lhe o valor que considerar adequado, observado o contraditório.

III. Caberá ao juiz, de ofício ou a requerimento da parte, determinar as provas necessárias ao julgamento do mérito, indeferindo, em decisão fundamentada, as diligências inúteis ou meramente protelatórias.

IV. As partes têm o direito de empregar todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, desde que especificados na norma processual civil, para provar a verdade dos fatos em que se funda o pedido e influir eficazmente na convicção do juiz.

V. A distribuição do ônus da prova pode ocorrer de forma diversa pela vontade das partes, desde que a convenção respectiva seja celebrada durante o curso do processo, necessariamente.

Está correto o que se afirma APENAS em

Resposta comentada

Gabarito Alternativa D

Conceito-chave: Prova, no processo civil, é tudo aquilo que serve para formar a convicção do juiz sobre os fatos da causa. A regra é que os fatos relevantes precisam ser provados, mas existem exceções (fatos confessados, notórios, incontroversos) que dispensam prova. Além disso, o juiz é o "diretor" da instrução: ele decide quais provas são necessárias e pode usar provas de outros processos, desde que respeite o direito de defesa das partes.

  • (A) Incorreta: A afirmação I é falsa porque fatos confessados e notórios não precisam ser provados (art. 374, CPC). A afirmação IV também é falsa porque os meios de prova não precisam estar "especificados na norma processual" — o sistema é de atipicidade (art. 369, CPC), ou seja, valem todos os meios legais e moralmente legítimos, mesmo que não estejam previstos em lei. A afirmação V é falsa porque a convenção sobre ônus da prova pode ser celebrada antes ou durante o processo, desde que não gere situação de impossibilidade ou excessiva dificuldade para uma parte (art. 373, §3º).
  • (B) Incorreta: A afirmação I é falsa (fatos confessados e notórios dispensam prova). A afirmação V também é falsa, pois a convenção sobre ônus da prova não precisa ser celebrada necessariamente durante o processo — pode ser anterior a ele (ex.: em contrato).
  • (C) Incorreta: A afirmação V é falsa, pois a convenção sobre ônus da prova pode ser celebrada antes do processo (ex.: cláusula contratual), não apenas "durante o curso do processo". As afirmações II e III, porém, são verdadeiras.
  • (D) Correta: A afirmação II é verdadeira: o juiz pode admitir prova emprestada (produzida em outro processo), atribuindo-lhe o valor que entender adequado, desde que respeitado o contraditório (art. 372, CPC). A afirmação III é verdadeira: o juiz pode determinar de ofício as provas necessárias e indeferir, com decisão fundamentada, as diligências inúteis ou protelatórias (art. 370, parágrafo único, CPC). As demais afirmações (I, IV e V) são falsas pelos motivos já explicados.
  • (E) Incorreta: A afirmação I é falsa (fatos confessados e notórios dispensam prova). A afirmação IV é falsa porque a lei não exige que os meios de prova estejam "especificados na norma processual" — o sistema é de atipicidade, admitindo-se todos os meios legais e moralmente legítimos, ainda que não previstos em lei (art. 369, CPC).

Fonte: FCC TRT6 2018 Analista Judiciário – Área Judiciária (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.

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