Questão nº 34

Questão de Direito Administrativo · FCC TRT23 2022 (nº 34)

FCC2022Analista Judiciário - Área JudiciáriaDireito Administrativo
Gabarito: Ever comentário ↓

Rodrigo, servidor público ocupante de cargo de confiança, nomeado livremente pelo seu superior hierárquico, foi dispensado do cargo que ocupava, sob a alegação de que constantemente chegava atrasado e que faltava com frequência, sem apresentar qualquer justificativa. Rodrigo, contudo, após obter, junto ao departamento pessoal, os controles de frequência em que comprovava que ele nunca havia faltado ou chegado atrasado ao trabalho, pretende invalidar o ato de sua exoneração. Diante da situação hipotética acima descrita,

Resposta comentada

Gabarito Alternativa E

A Teoria dos Motivos Determinantes estabelece que, quando a Administração Pública declara os motivos para a prática de um ato, mesmo que não fosse obrigada a fazê-lo, esses motivos passam a vincular o ato. Se os motivos declarados forem falsos ou inexistentes na realidade, o ato será inválido.

  • (A) Incorreta: Embora a nomeação e exoneração de cargo de confiança sejam discricionárias, uma vez que a autoridade declara os motivos para a exoneração, esses motivos tornam-se vinculantes. Se forem falsos, o ato é inválido, mesmo dentro da esfera discricionária.
  • (B) Incorreta: Esta é a armadilha. É verdade que a exoneração de cargo de confiança pode ser ad nutum (pela simples vontade, sem necessidade de justificar). No entanto, o superior optou por justificar a exoneração com motivos específicos (atrasos e faltas). Ao fazer isso, ele vinculou o ato a esses motivos. Se os motivos declarados forem falsos, a exoneração é inválida, independentemente da possibilidade de tê-la feito sem justificativa.
  • (C) Incorreta: A consumação do ato administrativo não impede que ele seja questionado judicialmente ou administrativamente, especialmente se houver vícios de legalidade ou de motivação, como a falsidade dos motivos declarados.
  • (D) Incorreta: A exoneração de cargos de confiança, por sua natureza ad nutum, geralmente não exige um processo administrativo prévio, ao contrário do que ocorre com servidores estáveis. O problema aqui não é a ausência de processo, mas a falsidade dos motivos declarados.
  • (E) Correta: Rodrigo poderá se valer da Teoria dos Motivos Determinantes. O superior hierárquico declarou motivos específicos (atrasos e faltas) para a exoneração. Rodrigo possui provas de que esses motivos são falsos. Conforme essa teoria, se os motivos que determinaram a prática do ato administrativo não correspondem à realidade, o ato é nulo, permitindo sua invalidação.

Fonte: FCC TRT23 2022 Analista Judiciário - Área Judiciária (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.

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