Questão nº 68
Questão de Nutrição · FCC TRT2 2018 (nº 68)
Paciente do sexo feminino realizou cirurgia de gastroduodenopancreatectomia e evoluiu no pós-operatório com fístula pancreática. O débito da fístula apresenta-se em 800 ml/dia, sendo necessária nova cirurgia para correção da fístula. A terapia nutricional tem o objetivo de recuperar o estado nutricional, sendo indicada por 10 dias. A via de administração da terapia nutricional é:
- ANutrição Parenteral Periférica.
- BNutrição Parenteral Central. (alternativa correta)
- CSonda Nasogástrica.
- DGastrostomia.
- EJejunostomia.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa B
Conceito-chave: Fístula pancreática de alto débito (>500 ml/dia) no pós-operatório imediato exige repouso absoluto do trato gastrointestinal (nada pode passar pelo estômago ou intestino) para não estimular a secreção pancreática e piorar a fístula. Além disso, o jejum prolongado (≥7-10 dias) e o estado hipercatabólico pós-cirúrgico indicam Nutrição Parenteral (NP) — que cai direto na corrente sanguínea, ignorando o sistema digestivo. A via central é obrigatória porque a NP tem alta osmolaridade (devido à glicose concentrada e aminoácidos) e não pode ser infundida em veia periférica (risco de flebite/trombose).
- (A) Incorreta: A Nutrição Parenteral Periférica só tolera osmolaridade ≤900 mOsm/L, insuficiente para o aporte calórico-proteico necessário em 10 dias de jejum total; além disso, o acesso periférico dura poucos dias e não suporta a solução concentrada exigida aqui.
- (B) Correta: A Nutrição Parenteral Central (cateter em veia cava superior) permite infundir solução hiperosmolar, garantindo suporte nutricional completo e seguro por 10 dias, sem estimular o pâncreas — essencial para a cicatrização da fístula.
- (C) Incorreta: Sonda Nasogástrica administra dieta no estômago, estimulando diretamente a secreção pancreática (via vagal e colecistocinina), o que aumentaria o débito da fístula — contraindicada.
- (D) Incorreta: Gastrostomia também entrega dieta no estômago, com o mesmo efeito estimulante sobre o pâncreas; além disso, é um acesso cirúrgico/endoscópico desnecessário e arriscado no pós-operatório de gastroduodenopancreatectomia.
- (E) Incorreta: Jejunostomia (dieta no jejuno) é a armadilha da banca: muitos alunos pensam que "dieta no jejuno não estimula o pâncreas", mas na prática qualquer nutriente no lúmen intestinal (mesmo distal) libera colecistocinina e secretina, estimulando a secreção pancreática — e aqui o débito é alto (800 ml/dia), exigindo repouso total, não apenas "distal".
Fonte: FCC TRT2 2018 Analista Judiciário - Apoio Especializado - Especialidade Nutrição (Caderno Tipo 001). Reproduzida para fins de estudo.