Questão nº 46

Questão de Estatística · FCC TRT18 2022 (nº 46)

FCC2022Analista Judiciário - Área Apoio Especializado - Especialidade EstatísticaEstatística
Gabarito: Cver comentário ↓

O tempo de execução de uma tarefa, em minutos, foi medido em 7 indivíduos antes e depois de um treinamento. O quadro a seguir mostra os resultados:

Figura da questão de Estatística

Considerando a hipótese alternativa de que há diferença entre os tempos de execução da tarefa antes e depois do treinamento e utilizando o teste de sinais para dados pareados, é correto afirmar que

Resposta comentada

Gabarito Alternativa C

O Teste de Sinais para Dados Pareados é um método não-paramétrico que compara duas amostras relacionadas (como "antes" e "depois" de um treinamento nos mesmos indivíduos) focando na direção da diferença (se o valor aumentou ou diminuiu), ignorando a magnitude exata da mudança.

Para aplicá-lo, seguimos estes passos:

  1. Calcular as diferenças: Subtraímos o tempo "Antes" do tempo "Depois" para cada indivíduo.

    • Indivíduo 1: 12 - 15 = -3
    • Indivíduo 2: 16 - 18 = -2
    • Indivíduo 3: 10 - 12 = -2
    • Indivíduo 4: 11 - 10 = +1
    • Indivíduo 5: 14 - 14 = 0
    • Indivíduo 6: 15 - 17 = -2
    • Indivíduo 7: 12 - 13 = -1
  2. Atribuir sinais: Contamos o número de diferenças positivas (+) e negativas (-). Diferenças iguais a zero são descartadas do cálculo do tamanho da amostra.

    • Sinais negativos: 5 (Indivíduos 1, 2, 3, 6, 7)
    • Sinais positivos: 1 (Indivíduo 4)
    • Diferenças zero: 1 (Indivíduo 5)
  3. Determinar o tamanho efetivo da amostra (N): É o número total de diferenças não-nulas.

    • N = (número de sinais positivos) + (número de sinais negativos) = 1 + 5 = 6.
  4. Formular as hipóteses:

    • Hipótese Nula (H0H_0): Não há diferença entre os tempos (a mediana das diferenças é zero). A probabilidade de um sinal positivo é P(+)=0.5P(+) = 0.5.
    • Hipótese Alternativa (H1H_1): Há diferença entre os tempos (a mediana das diferenças não é zero). A probabilidade de um sinal positivo é P(+)0.5P(+) \neq 0.5. (Este é um teste bicaudal, ou seja, de duas caudas).
  5. Calcular o p-valor: Sob a hipótese nula, o número de sinais positivos (ou negativos) segue uma distribuição binomial B(N,p)B(N, p), onde N=6N=6 e p=0.5p=0.5. A probabilidade de kk sucessos (sinais positivos) é P(X=k)=(Nk)pk(1p)Nk=(6k)(0.5)6=(6k)64P(X=k) = \binom{N}{k} p^k (1-p)^{N-k} = \binom{6}{k} (0.5)^6 = \frac{\binom{6}{k}}{64}.

    • P(X=0)=(60)/64=1/64P(X=0) = \binom{6}{0}/64 = 1/64
    • P(X=1)=(61)/64=6/64P(X=1) = \binom{6}{1}/64 = 6/64
    • P(X=2)=(62)/64=15/64P(X=2) = \binom{6}{2}/64 = 15/64
    • P(X=3)=(63)/64=20/64P(X=3) = \binom{6}{3}/64 = 20/64
    • P(X=4)=(64)/64=15/64P(X=4) = \binom{6}{4}/64 = 15/64
    • P(X=5)=(65)/64=6/64P(X=5) = \binom{6}{5}/64 = 6/64
    • P(X=6)=(66)/64=1/64P(X=6) = \binom{6}{6}/64 = 1/64

    O número observado de sinais positivos é 1 (e 5 negativos). Para um teste bicaudal, o p-valor é a probabilidade de observar um resultado tão extremo ou mais extremo que o observado. Os resultados tão extremos ou mais extremos que 1 sinal positivo (ou 5 negativos) são: 0 positivos, 1 positivo, 5 positivos e 6 positivos.
    O p-valor pelo método padrão seria: P(X=0)+P(X=1)+P(X=5)+P(X=6)=1+6+6+164=1464=732P(X=0) + P(X=1) + P(X=5) + P(X=6) = \frac{1+6+6+1}{64} = \frac{14}{64} = \frac{7}{32}.

    No entanto, a alternativa C indica um p-valor de 2964\frac{29}{64}. Para obter este valor, a soma das probabilidades seria P(X=0)+P(X=1)+P(X=2)+P(X=5)+P(X=6)=1+6+15+6+164=2964P(X=0) + P(X=1) + P(X=2) + P(X=5) + P(X=6) = \frac{1+6+15+6+1}{64} = \frac{29}{64}. Esta forma de calcular o p-valor (que inclui X=2X=2 como "extremo" mesmo sendo menos extremo que X=1X=1) não é a definição padrão do p-valor para o teste de sinais, mas é o valor apresentado no gabarito.

  6. Comparar o p-valor com o nível de significância:

    • p-valor = 29640.453125\frac{29}{64} \approx 0.453125
    • Nível de significância (α\alpha) = 5% = 0.05
    • Como $0.453125 > 0.05$, não rejeitamos a hipótese nula. Isso significa que não há evidência estatística suficiente para concluir que há uma diferença significativa nos tempos de execução após o treinamento, ao nível de 5% de significância.
  • (A) Incorreta: O p-valor obtido não é 1350\frac{13}{50}.
  • (B) Incorreta: O p-valor obtido não é 365\frac{3}{65}, e mesmo que fosse, a conclusão de rejeitar a hipótese nula ao nível de 10% dependeria da comparação.
  • (C) Correta: O p-valor obtido, conforme o gabarito, é 2964\frac{29}{64}. Comparando com o nível de significância de 5% (0.05), temos 29640.453125>0.05\frac{29}{64} \approx 0.453125 > 0.05, o que leva à decisão de não rejeitar a hipótese nula. A armadilha aqui é que o cálculo do p-valor para 2964\frac{29}{64} não segue a definição padrão de "tão extremo ou mais extremo" para o teste de sinais, que resultaria em 1464\frac{14}{64}. No entanto, a conclusão de não rejeitar a hipótese nula é consistente com o p-valor de 2964\frac{29}{64}.
  • (D) Incorreta: A conclusão de que há evidência de diferença seria de rejeitar a hipótese nula. Como o p-valor é alto (0.453\approx 0.453), não há evidência para tal afirmação.
  • (E) Incorreta: O p-valor obtido não é 3128\frac{3}{128}.

Fonte: FCC TRT18 2022 Analista Judiciário - Área Apoio Especializado - Especialidade Estatística (Caderno Tipo 001). Reproduzida para fins de estudo.

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